Há canções que não apenas ocupam espaço no fone, mas constroem templos dentro da escuta; “Little Miss Holy Holy”, de Kate Vargas, é um desses casos em que o estranho se torna familiar.
Talvez por conta do contraste entre o profano e o simbólico, a faixa — vinda do álbum “Golden Hour in the House of Lugosi” — se desenrola como ritual sonoro, onde o folk pop se mistura a um jazz quase espectral, revelando camadas que ecoam além do arranjo.
No fim, Kate não apenas entrega uma música, mas formula um enigma: sua personagem-título evoca e questiona, enquanto os vocais de fundo criam um véu litúrgico que, entretanto, nunca oculta completamente o desejo.
Confira:
