Berlim é uma das capitais mais culturais da Europa. Histórico no punk, na música eletrônica e música clássica fazem do lugar um verdadeiro centro de arte. Ao menos é o que sabemos e sempre ouvimos falar por aí. E isso tudo vindo de um país que foi devastado pela guerra há menos de 100 anos.

A cultura de Berlim é vibrante e diversa, marcada por uma rica história, arte de vanguarda, vida noturna agitada e um forte senso de liberdade individual e diversidade. A cidade é um centro global de mídia, ciência e política, e sua cena artística inclui inúmeros museus, galerias e uma famosa galeria de arte a céu aberto no Muro de Berlim (East Side Gallery).

Vindos de lá, Kate Pending, no entanto, preferiu não se tomar por esse ar para lançar seu mais novo EP, este “Two Words”. Trata-se de um disco colaborativo que nasceu de uma tradição iniciada há alguns anos: um retiro de fim de semana dedicado a fazer música com amigos. O que começou como um experimento espontâneo tornou-se um ritual anual — um encontro de vocalistas, rappers, músicos e produtores, cada um contribuindo com seu som para um espaço criativo compartilhado. O resultado são cinco faixas, cada uma refletindo uma mistura diferente de energias e emoções.

Podemos dizer que “Two Words” é um trabalho onde impera a música eletrônica, mas acima de tudo estamos diante de um disco que consegue nos gerar sensações e das mais diversas. Isso em apenas pouco mais de 15 minutos, que são suficientes para tal.

Escrita por Michael Huber e interpretada por Patrizia Carlucci, sobre uma flor que busca o sol, mas nunca o encontra, “Hibiskus” é uma música que serve como uma introdução, mas soa grande para tal formato. Não, isso não é pejorativo, muito pelo contrário. Estamos diante de uma faixa que serve como um convite para a viagem que o disco proporciona, com um fundo futurista e sintetizadores que vibram na medida e chegam a um final industrial caótico.

Já “Nothing Changes”, apesar de sua batida mais consistente, é a primeira que traz sintetizadores mais atmosféricos. Aliás, os vocais também passam essa sensação, com suavidade e servindo como um dos complementos da faixa. A música de ritmo quebrado, prima por trazer uma leve aura melancólica e introspectiva, mas que não exagera nas doses, em nenhum momento.

Se era vibração que procuravas, temos aqui em “Walk Away”, faixa produzida e executada por Kate Pending, VOID LOOP e CRLCC (assim como a antecessora). Se enveredando pelos trilhos do house, mais precisamente o deep house, a música prima por sua batida aveludada e sintetizadores climáticos bem ao fundo, dando uma sensação viajante durante a dança. Os vocais também são complementares, inclusive discretos efeitos de backings que dão uma sensação mais ‘sci-fi’.

Falando em ar climático, talvez “Begging Blank” seja uma faixa fundamental para tal. A música, além de diversas camadas de sintetizadores atmosféricos se sobrepondo, traz uma batida influenciada pelo R&B e cordas que dão uma base diferenciada. A música ainda prima por trazer o trabalho vocal mais ‘cantado’ do disco, mantendo um timbre suave essencial e sublime.

E, por fim, chegamos em “Monkey Dusk”, uma faixa que fecha o disco bem, sendo uma das mais versáteis e diferenciadas do trabalho. A música, se bem observada, abrange diversos estilos e é muito bem explorada, afinal de contas são apenas pouco mais de três minutos onde conseguem um resultado fenomenal.

De batida cadenciada, insere camadas de sintetizadores climáticos mais à frente, enquanto ruídos complementam as lacunas. A música, em forma mais clara, traz ambient, lo-fi e R&B se entrelaçando e provando que o leque aqui não fica fechado.

Cada faixa  de “Two Words” reflete momentos compartilhados, um instantâneo de conexão e a prova de que algo belo pode acontecer quando amigos abrem espaço para o som. O resultado é um disco que nos tira do caos real por poucos minutos, mas que parece por horas e não por ser maçante, pelo contrário, sua dimensão gera paz e reflexão na mente.

Sem contar que o álbum é um grande passo na carreira de Kate, que é artista e produtora. Após seu álbum de estreia, “Pigmented Reality” (2024), e o disco colaborativo “Tomorrow’s Dreams of Yesterday” (2025) com o renomado e criativo Luke Tangerine, ela se consolida com o novo EP, mostrando que está no caminho certo ao moldar sua personalidade.

Se você gosta de música eletrônica em geral, com ênfase em future garage, chillstep, deep house e ambient, mas que rompe fronteiras, “Two Words” é o disco perfeito. Caso ainda não se familiarize, eis uma boa pedida, pois seu tempo curto e simplicidade na execução pode lhe introduzir para esse mundo versátil e infinito. Ou seja, este é o acerto de Kate, criar um trabalho que pode atingir muito mais público.

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