Josh Orange lança sexto disco e se mantém atual

Ao dar play em “The Fire & The Call”, novo disco do Josh Orange, já entendemos que a banda tem um foco definido, mas também uma intenção clara de dar uma abordagem única a esse foco. Afinal de contas, o que encontramos nos quase quarenta minutos de música, é um som que não reinventa nada, mas que chega cheio de personalidade.

Outro fator preponderante em “The Fire & The Call” é que a banda consegue unir estilos, alguns mais antigos, outros atuais e outros atemporais, moldando muito bem sua sonoridade, que encanta pelo sentimento elevado, a sensibilidade e uma abordagem emocionante.

Produzido por Dylan Medina e gravado por Ben Worsey no estúdio Everland, em Five Dock, Sydney, a mixagem ficou a cargo de Tim Palmer (Pearl Jam, U2, Bowie, Plant), e a masterização foi feita por Leon Zervos, no estúdio 301. “The Fire & The Call” não é obra do acaso; foi concebido para promover uma conexão humana profunda — feito por pessoas, para pessoas.

Trata-se de um trabalho lapidado ao longo do tempo, construído com o máximo cuidado e entregue com a segurança e a naturalidade de quem compreende verdadeiramente o seu propósito. Como a banda deixa bem claro.

E não é de hoje que o Johs Orange trabalha no álbum. O disco é fruto de 21 anos dedicados à composição, gravação e apresentação de músicas autorais. Porém, o que ouvimos aqui, tanto em termos de produção, timbres e execução, nos mostra que eles se mantiveram antenados, pois entregam algo à frente de seu tempo.

Sexto disco da banda, “The Fire & The Call” traz temas que evocam verdade, dignidade, dor, raiva e uma determinação inabalável de criar com total liberdade. Para as letras a banda encaixa perfeitamente canções magistrais, que transitam do rock, dream pop, alternative, indie e folk, tudo com uma veia mais do que atual.

A primeira faixa, “No One Left To Blame” nos entrega um folk moderno e híbrido, onde elementos acústicos e elétricos se entrelaçam em uma proporção equilibrada. Com um andamento semi cadenciado, de boa dinâmica, as bases são dedilhadas, um fundo sombrio bem estruturado e vocais brandos celebram uma melancolia belíssima.

Já “Who Needs Who” soa mais enérgica, porém não perde o fundo introspectivo que parece ser uma das características da banda. A faixa traz guitarras mais enérgicas, a seção rítmica mostrando consistência e arranjos mais coloridos, sempre mantendo os pés no chão.

Com uma veia mais clássica, inspirada nos anos 60, “Love Again” deixa a melancolia um pouco de lado para dar vazão a algo mais romântico. Além da levada interessante, a faixa entrega um piano magistral, que dá todo teor mais requintado e soa bem diferenciado, apesar de bem discreto.

“Break My Heart” traz a banda caindo no folk moderno que muitos a caracterizou, mas não somente isso. O teor épico da composição entrega influências de americana, provando que eles realmente não fecham seu leque. Muito pelo contrário, a banda prima por romper fronteiras e soar sempre versátil sem sair de zona de conforto.

O folk se mantém na balada mais introspectiva intitulada “Send Me An Angel”, porém bebendo mais nas fontes do estilo mesmo, sem flertar com outros. Um belíssimo piano comanda a introdução até se mesclar com as guitarras e cozinha em momentos intensos, mas sempre com a sensibilidade à flor-da-pele.

Com um começo que valoriza o violão e um piano todo delicado de fundo, “The Damage” chama atenção pelo folk mais vanguardista, porém sem soar datado e ainda apresentar um levíssimo toque de country, que a coloca mais num teor campal. O órgão da faixa é simplesmente magistral.

Um folk mais sofisticado e emotivo embala o início de “I Knew”, até a faixa ganhar um ritmo mais direto e guitarras providenciais, onde descamba para o pop rock alternativo com forte influência de britpop, provamos mais uma vez a amálgama de influências que culminaram no som de Josh Orange.

Já “Beautiful Heart” é uma faixa que cai como uma luva no rock alternativo e flerta com o dream-pop, neste último caso mais pelo apelo emotivo e contextos atmosféricos, que encantam pela melodia introspectiva e parece fazer com que o disco retorne ao seu início. Alguma semelhança com U2 é notada aqui e ali.

Com mais um toque e levada romântica, retornando ao pop rock clássico, “All Night Long” encanta pela sua leveza e uma certa ingenuidade, que deixa o disco ainda mais belo. Enquanto isso, “Willows In The Wind” fecha o disco como um folk sinistro sombrio e imponente, deixando as arestas abertas para o que possa vir a seguir.

Vale ressaltar que Josh Orange é acompanhado por Evie Corradin (baixo), Seb Kruisheer (piano/órgão) e Shane McLaughlin (guitarras adicionais). “The Fire & The Call” é daqueles discos que simplesmente traz revigoração e aquece nossa alma. Vale à pena apertar o play aqui!

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