Jon-Olov Woxlin presenteia público com The Mountains Of My Home, álbum com nuances pessoais

A melodia não precisa, necessariamente, encantar. Ela precisa envolver. E o que acontece durante a introdução é justamente a atração, uma química estruturada a partir da afinação e do encontro de sons harmoniosos que criam uma atmosfera de pura delicadeza. Em The Ballad Of J.S., o que a guitarra e o violão fazem é a fusão do áspero com o doce de uma forma bastante sábia que promove ao ouvinte uma experiência sensorial completa. Com a sua postura intimista e corpo instrumental minimalista, a obra usa da cadência lírica e da voz fanhosa de Jon-Olov Woxlin como fonte de fluidez que surte no encontro do ouvinte com um acústico reflexivo e de nuances melancólicas.

Em I Can’t Go On Loving You, o que acontece é a exploração de uma experiência sensorial ainda mais introspectiva. Baseada em um compasso macio e ondulante, a faixa permite a identificação do baixo como um importante elemento na criação de sua  ambiência sonora. Bojudo e levemente aveludado, o instrumento faz com que a melodia soe densa, mas sem prejudicar a sua natureza frágil. Assim sendo, a atuação da guitarra surte em uma roupagem em que os suspiros vêm carregados de um interessante lamento. Harmonicamente linear, a faixa captura o sentimento e a sensibilidade de Woxlin sob uma vitrine transparente.

Swingada, mesmo que densa em razão das notas escolhidas pelo violão para montar a paisagem melódica introdutória, a canção permite o contágio imediatamente ao seu nascimento. Com gosto e cheiro de interior, é interessante como, de certa forma, o ouvinte consegue encontrar uma semelhança estética entre a da presente composição e aquela presente em Lonely Boy, single do The Black Keys. Trazendo consigo uma interessante fusão entre folk e blues, Trying To Get Close To You chama a atenção pelo seu storytelling atraente e pela sua levada sensual, mas sem apelação.

De todas as músicas de The Mountains Of My Home reproduzidas até aqui, talvez The Thing’s We Never Had seja aquela com mais gosto de interior e um aroma inquestionavelmente bucólico. Em razão da união de sonoridades que fortalece a percepção do simples e do frescor do campo, a faixa não demora em evidenciar o prazer e a satisfação de se viver em meio à energia da simplicidade que vem com a ideia do rural. Ainda que traga consigo traços melancólicos, a presente obra apresenta grande poder de penetração.

É interessante perceber a audácia de um músico em desenvolver um material completamente livre de elementos rítmicos de qualquer natureza. The Mountains Of My Home se apresenta como um disco focado nos sons e nas texturas somente espremidas dos instrumentos de corda, o que, invariavelmente, cria e intensifica a sua natureza simples.

Tendo, portanto, a delicadeza como seu principal mote sensorial, o disco permite que o ouvinte caminhe e sinta a calmaria envolvente do campo. Ao mesmo tempo, esse mesmo processo libera a percepção do frescor, da leveza e, principalmente, da simplicidade da atmosfera bucólica tão bem construída ao longo dos 13 capítulos que regem o álbum. 

Gentil e doce, mas com momentos em que a melancolia e o drama também marcam presença, o material dá destaque às suas cinco primeiras obras pelo fato de elas salientarem o que foi pontuado até aqui. Inevitavelmente, porém, outros títulos acabam reivindicando a sua contribuição na qualidade do álbum. É o caso da trepidante Talkin’ Johnny Cash; de Brouhaha e a excentricidade alcançada com a presença do banjo; e de The Man I’m Pretending To Be com as brisas de influência da bachata no que diz respeito à sua estrutura. É assim que The Mountains Of My Home conquista a audiência.

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