John Smyths traz country transmutado em novo disco!

Uma das coisas mais bacanas na música é a transmutação natural que a mesma tem quando ouvimos um disco de um artista. Isso mostra identidade e quando a destrinchamos entendemos qual o mote inicial e o rumo que as coisas tomam, revelando alguns flertes e/ou uma fórmula tradicional, mas que não deixa de ser a personalidade deste artista.

John Smyths é um destes artistas e ele chega com um novo disco que é autoexplicativo, mas antes de falar sobre o álbum, precisamos conhece-lo melhor, afinal sua história ajuda-nos entender bem qual sua proposta. Logo, segue um pouco de suas origens.

Johan Smits, também conhecido como John Smyths, nasceu em março de 1961 na antiga cidade de Nijmegen e foi apresentado ao mundo da música por seus pais e por seu irmão mais velho. Embora não fosse exatamente o estilo de que ele mais gostava, ainda assim era música. Após sua fase mais agitada, ele passou a se dedicar cada vez mais à música country, ouvindo artistas como Johnny Cash, Kenny Rogers, Alan Jackson, George Strait, entre outros.

Essa é uma das partes mais importantes, afinal de contas, embora John tenha começado a lançar seu trabalho em plataformas digitais apenas recentemente sob o nome artístico John Smyths, Johan Smits já compartilha ‘singles’ há anos — portanto, ele não é exatamente um novato na cena. Tendo crescido ao som de Kiss, Van Halen, Iron Maiden e AC/DC, Smyths construiu sua base no rock clássico; contudo, ele não hesita em explorar outros gêneros, aventurando-se pelo universo da música country com referências como Hank Williams, Kenny Rogers e Alan Jackson.

Ele chega agora com o disco “Memories and Empty Bottles”, que foi produzido de forma global: algumas faixas foram gravadas nos Estados Unidos, no Bomb Shelter Studio (Nashville, Tennessee); outras, no Reino Unido, no Mirage Studio; e há também canções gravadas nos Países Baixos, no Atelier Studio. Além disso, grande parte do material foi masterizada na Alemanha, no estúdio TonSchulz.

Este é outro fator que corrobora para que sua música não estacione no country e traga sonoridades onde o rock, jazz, blues, folk e até mesmo pop deem as caras, deixando tudo muito característico e bem moldado.

O processo de composição contou com a participação de nomes consagrados na música, como Rita Weyls (EUA), Hilde Vos (Países Baixos) e John P. Taylor — um talentoso músico britânico e proprietário do Mirage Studio. Nas faixas que apresentam violino, o instrumento é executado por Niles Krieger, um violinista americano radicado no Reino Unido.

O disco começa com “I’Dutch”, um country moderno, mas não artificial, muito menos tendencioso. Trata-se de uma música que preserva os elementos tradicionais do estilo, mas explora o momento atual. Enquanto isso, “Last Night” soa como se Elvis resolvesse investir mais no estilo ‘americana’ e encanta por isso!

“Holes In My Brain” é uma balada folk, com toques minimalistas, mas um fundo orquestrado, o que a torna robusta. O agito retorna com o country maroto de “Now I’m Wiser”, dançante e com uma dinâmica intensa.

“Chasing Dreams” entrega um trabalho maravilhoso de vocais, talvez um dos melhores do disco, com backings providenciais, o que valoriza seu refrão fácil e encantador. Chegando na ‘metade’ do disco, a balada sombria “Time” dá as caras com aquele country estilo cena tensa de faroeste e uma pitadinha de southern rock. Detalhe pro órgão que deixou tudo providencial na faixa.

Indo para um lado mais tradicional do country, “My Brother, My Friend” traz como destaque uma base de piano e um violino em melodias belíssimas, enquanto “If They Don’t Like It The Way You Want It” é uma balada country/folk típica, que mostra que Smyth tem o conhecimento de causa na ponta da língua.

É sempre interessante que John vai de uma faixa sombria pra uma agitada, então “One Night In a Honky Tonk” mostra um som agitado e um título que entrega sua vocação orientada para a ramificação do country, o honky tonk. “Loving You, Loving Me”, onde John faz um dueto vocal com Rita Weyls soa simplesmente magnífica e soa como uma das mais belas faixas do disco, além de muito abrangente.

“My Little Girl (Meggy’s Song)” segue o conceito de balada, com uma melodia sombria e um trabalho vocal primoroso de Smyths. Fechando o disco temos a magistral “Those Bones of Mine”, que soa entre o meio termo de melodiosa e enérgica, trazendo guitarras magistrais e um violino providencial. Destaque para o solo memorável das seis cordas, que é o elemento que mais aproxima o som do rock.

Vale destacar que algumas das canções chegaram a figurar nas paradas de sucesso, como “Last Night”, que permaneceu por quatro meses no ‘Cashbox Country Top 100’, nos Estados Unidos. Outras faixas, como “Now I’m Wiser” e “Those Bones of Mine”, também receberam o devido reconhecimento e indicações. “Memories and Empty Bottles”, honra os prêmios que John Smyths angariou, tais quais o prêmio internacional ‘Red Carpet Show Awards’ (FPCM). Um fenômeno.

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