Identity | Lady Nade anuncia álbum com intensa profundidade pessoal

A canção que assume  a função de abrir o álbum já tem o seu despertar estruturado de uma forma capaz de atiçar o interesse e a curiosidade do ouvinte. A partir da adoção do efeito fade in, ela introduz uma sequência de golpes precisos sobre a pele da caixa da bateria e faz ressoar um toque estridente estimulante. Quando atinge o seu ápice, o instrumento passa a ser acompanhado por outros elementos sonoros que induzem o ouvinte à ideia de presencia a formação de um composto soul não apenas swingado, mas com bom groove e uma sensualidade provocante. E o interessante é que isso acontece a partir da textura ácida da guitarra em contato com o tilintar do pandeiro conduzindo as primeiras menções de cadência rítmica. Eis que uma voz feminina fresca, mas de pronúncias longe de serem frágeis, entra em cena oferecendo um andamento linear introspectivo apenas como método de motivação. Ganhando um extra de entrosamento com o seu refrão, a faixa-título se vangloria pela união do adocicadamente ácido toque do teclado e da harmoniosa inclusão dos backing vocals.

Seu início não vem necessariamente com um tom de ordem, mas ao repetir insistentemente o próprio título, One Of Us acaba induzindo o ouvinte à noção de um diálogo relacionado a aspectos sobre respeito, união e até mesmo compaixão. Minimalista em instrumentação, a composição caminha apenas na sinergia estruturada entre Lady, seu time de backing vocals, o som crocante do estalar de dedos oferecendo os primeiros sinais do compasso rítmico e, por fim, as nascentes indicações de groove fornecidas pelo baixo através da sua desenvoltura denotativamente encorpada. Intimista e elaborada em um tom abaixo daquele apresentado durante a composição anterior, a faixa parece ter uma leve elevação na exploração de texturas como forma de lhe angariar um sentimentalismo mais pungente. Se aventurando pelo frescor sereno e suspirante do violão ao mesmo tempo em que mantém a sua consciência intacta a partir dos pulsos ofertados pelo bumbo, a faixa ainda desfila ligeiras menções de veludo que suscitam brisas de um conforto bem-vindo. Importante destacar também a presença da textura hipnoticamente ácida e trepidante do mellotron, fator que dá à obra um audacioso teor psicodélico-melancólico.

Apenas pelo dedilhar do violão a canção já comunica uma postura delicadamente intimista, mas respaldada por intensos estímulos reflexivos. Inclusive, a própria atuação de Lady amplifica essa percepção do frágil dialogando com o intimismo sereno perante a sua máxima e graciosa simplicidade. Macia, fresca, aromática e serena, Rainbow se apresenta como uma espécie de balada que oferece a máxima calmaria possível em meio a uma estrutura elaborada com base no andamento do jazz. Trazendo uma instrumentação de atuação mais contida, mas não menos entregue ou emotiva, a faixa exorta a simples necessidade da plenitude, da paz e do bem-estar ao mesmo tempo que, com gentileza e doçura, escancara as antíteses que representam a pluralidade sociocomportamental.

Ela vem sonoramente melodiosa e ritmicamente sincopada sem estardalhaços. Contagiante no sentido mais léxico da palavra, a faixa é marcada por pulsos quebrados que indicam, imediatamente, um bom e interessante dinamismo rítmico. Surtindo, a partir daí, na obtenção corpulenta do senso de fluidez, Waiting For A Train é embebida em costuras de um rock puro, mas com incitações claras de folk perante a sua paisagem sônica.

Longe de tudo aquilo que foi apresentado até então, a composição em questão convida o ouvinte a imergir em um ecossistema de atmosfera indiscutivelmente onírica, brisante e serena. A partir da agudez vulnerável e doce do teclado que representa a sonoridade naturalmente aveludada do fender rhodes, a composição passa a caminhar por um terreno lexicalmente sonhador. Transpirando conotações de uma dramaticidade confortavelmente envolvente, Powerless não caminha, mas flutua, em meio às suas valsas violinísticas, perante uma base rítmica blues bastante atraente e singela. Tudo em contato com uma interpretação lírica reflexiva, mas cheia de entonações dramatizadas, especialmente durante o seu refrão.

Se o blues apareceu como uma espécie de tempero na canção anterior, ele surge, aqui, como a essência, o sangue e a espinha dorsal. Exibida e denunciada a partir da presença de uma guitarra de riff distorcidamente aveludado, a faixa em questão ainda combina frases melódicas swingadas e uma esfera rítmica pulsante que indica o soul como a sua referência estrutural. Leve, suave, fresca e com uma estética convidativamente radiofônica, mas longe de ser apelativa, Sober combina leveza estético-estrutural popeada com um conteúdo lírico que explora a jornada em prol da sobriedade.

Com direito à acidez governando boa parte do espectro sonoro, podendo ser encontrada tanto diante do riff da guitarra quanto pela identidade timbral das notas do teclado, a composição ainda volta a explorar uma espécie de sensualidade comportada em meio ao compasso amaciadamente tilintante do pandeiro perante a esfera rítmica. Misturando menções claras de soul com uma atmosfera melódica que flerta graciosamente com um soft rock gracioso, Stand ainda traz consigo texturas percussivas opacas que lhe garantem uma interessante desenvoltura rítmica.

O que o ouvinte vivencia diante de Identity não é apenas uma audição comum, de um álbum comum. Com o presente material e suas 10 composições, Lady Nade convida o ouvinte a caminhar por uma série de fatores sociais que pedem, invariavelmente, uma paisa para a reflexão e até mesmo uma autoavaliação perante os próprios atos perpetrados pelo ouvinte.

Explorando universos oníricos, sincopados, swingados e com boas doses de harmonia vocal, o material apresenta um afiado trabalho de mixagem, possibilitando ao ouvinte a identificação de cada elemento sonoro tanto individualmente quanto em conjunto. Esse detalhe, inclusive, ajuda a salientar não apenas a musicalidade de Lady Nade, mas especialmente a sua sensibilidade e a sua coragem. Coragem essa percebida no discorrimento de temáticas como autodescobrimento, autoaceitação e a audácia de expor ao mundo a sua verdadeira essência. Não à toa que o disco tem muito de motivacional.

Mais informações:

Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/3KLtLtPKJpIczRbND6ohjh

Site Oficial: https://ladynade.co.uk/

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Bandcamp: https://ladynade.bandcamp.com

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SoundCloud: https://soundcloud.com/lady-nade/lady-nade-rainbow-3?in=lady-nade/sets/lady-nade-rainbow

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