A Inteligência Artificial, conhecia também como IA, chegou como um recurso que gerou várias reações. Além disso, está servindo para várias funções, desde ferramentas, passando até mesmo a substituir os humanos. Isso causa certa polarização, já que ela pode ser para algo útil, assim como para tirar a alma de alguma coisa.
Não somente, a IA também veio para agregar como um instrumento, seja na música ou na vida, além de ajudar a resgatar algumas coisas, recuperar coisas que quase se perderam no passado ou até realizar o impossível. Neste último caso chegando a ser doentio, com a tentativa de ressuscitar mortos (mas essa é só uma opinião).
Mas, nada de doentio é na música, principalmente se a ideia for das melhores, como aconteceu aqui com o hovercraft, do Reino Unido. O grupo vem dos anos 90, está extinto, mas ainda tinha algumas composições engavetadas. Para isso, um idealizador resolveu resgatar essas composições e com a ajuda da IA lança-las sobre este nome de “On The Rocks”.
O resultado é agridoce. Afinal de contas, soa diferenciado das coisas pasteurizadas que nos acostumamos a ouvir por aí no cenário. São músicas que foram compostas em um período que a IA era só elemento de filme de ficção, por isso ainda conseguimos sentir alma nas faixas e nos deleitar com o disco.
No mais, há uma definição bem inteligente para este projeto e que pode ecoar por muito tempo sobre ele. Como dito não só em seu trabalho de apresentação, mas também até por algumas mídias que o avaliaram, estamos diante de uma ‘arqueologia’ sonora.
“Isso não é nostalgia – é arqueologia sonora. Músicas compostas em 1996, reconstruídas em 2025, soando como se pudessem ter sido lançadas em qualquer época, antes ou depois”, diz parte do release e com muita razão, diga-se de passagem.
E isso não culmina somente neste disco, afinal de contas foi lançado anteriormente “Shaken Not Stirred”. Ambos abraçam as raízes indie-rock, alternativas e punk da banda original dos anos 90, porém com suas diferenças o que é natural e tem colocado o projeto em voga no cenário virtual, como eles mesmos constatam.
Após um outubro notável, foram 34 adições a playlists, alcance de 81 mil pessoas e cobertura da imprensa internacional no México, Brasil, Reino Unido e EUA. É com essa bagagem que chegam com o instigante “On The Rocks” e suas 12 faixas distribuídas em 42 minutos.
O disco começa com a encantadora “Anytime”, um indie pop que tem ritmo cativante e uma leve inclinação para a disco music, mas sem soar datada. A faixa abre o disco com êxtase e convida todos a apreciação. Ela é precedida pela contemporânea “Love”, que traz elementos do R&B e prova a capacidade de adaptação do projeto.
“Superman” chega com leves toques vintage e uma dinâmica excelente, trazendo o indie, em suas diversas facetas, de volta. Enquanto isso “Bring My Baby Back” encarna um pop rock com claros elementos de blues e jazz, mostrando que sofisticação pode ser popular.
Bebendo na fonte do soul e com um leve toque épico, digno da new age, “My Own Little World” encanta pela sensibilidade e a abordagem honesta, que nos conquista de imediato. Chegando na metade do disco o pop vintage “Keep It Together” mostra o quanto o trabalho estava à frente de seu tempo.
“Indie Kid”, caso o disco fosse um LP, abriria o lado B com um poderio onde elementos do rock, funk e alternativo se unem e com direito a explosão de metais. “Bob Bob Bob“, por seu lado, soa mais introspectiva e bebe na fonte do rock alternativo e post-punk, onde incrivelmente o hovercraft não perde sua identidade.
“Crazy”, uma das faixas mais sensuais do disco, traz linhas de baixo muito vibrantes, e um ar intimista, além de um trabalho vocal com backings propícios. “White Limosine” quase segue sua antecessora, mas bebe na fonte do jazz moderno e ainda injeta elementos que deixariam as divas do pop muito orgulhosas. Com um verso mais introspectivo, a mudança brusca no refrão chama atenção.
Entrando na reta final, “Sweet Thing” é uma música poderosa, que ganha contextos dentro do rock alternativo tendo uma pegada sisuda no seu verso e uma melodia mais bela no refrão. Fãs de música noventista sem dúvidas irão adorar. E, fechando o disco temos a autêntica “Baby Blue”, que traz mais uma vez o jazz moderno à tona, e um pouco de tudo que foi destilado no disco, o que faz com que ela soe como um verdadeiro fechamento.
“On The Rocks”, além de seu formato e produção inovadores, com essa metodologia de resgatar composições reais com a IA, é um disco composto com faixas que podem tranquilamente frequentar qualquer playlist. Afinal de contas, para ser abrangente, o disco precisa trazer diversos estilos e isso aqui é mato. Ouça e seja feliz.
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