Definitivamente, a canção já tem, em seu início, tudo para ser considerada uma obra excêntrica e livre de qualquer sinal de melindre. Afinal, por entre um riff amaciado e levemente seco pronunciado pelo violão, o espectador consegue identificar sonares tilintantes pincelando cuidadosamente a esfera melódica em processo de desenvolvimento. Vindos do xilofone, eles conduzem a audiência à identificação dos primeiros vislumbres rítmicos.
Delicada, aromática e com um frescor capaz de fornecer um perfume encantadoramente interiorano, a canção bebe de uma simplicidade estético-estrutural admirável que confere uma singela noção de movimento, mesmo que pareça permear certo grau de linearidade arquitetônica. É então que, a partir da desenvoltura lírica, o espectador tem acesso à textura afinada e levemente rasgada do timbre do vocalista. Com suas nuances suavemente fanhosas, John Arter, ao mesmo tempo em que devolve certos lapsos de lucidez ao ouvinte, permite o apego ao conteúdo verbal em exposição.

Instrumentalmente minimalista, é interessante de se observar como a canção trabalha seu escopo harmônico apenas a partir das modulações vocais assumidas pelo vocalista. Intimista em sua máxima essência, a faixa é ausente de drama, pungência e visceralidade. Em compensação, o poder da narrativa possuinte por parte de Arter faz de Homegirl uma obra folk acústica que dá vida à simples ânsia de ver o mundo.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/0ygXFUfLalxabyHk6kWblM
Soundcloud: https://soundcloud.com/the-eastern-kings/
YouTube: https://www.youtube.com/@JohnArterMusic
Instagram: https://www.instagram.com/johnartermusic/




