Diante de seus curtos e espaçosos dedilhares,o violão faz ecoar uma sonoridade aguda, doce e de nuances levemente aveludadas. Sugerindo uma introspecção cheia de carinho e ternura, mesmo que perante uma junção de notas minimalistas, o instrumento chama a atenção por sugerir certo quê de fragilidade em meio à paisagem estética em criação. Nesse ínterim, a base melódica passa a ser preenchida por pulsos graves e encorpados do baixo, que, calmamente, conferem cuidadosas inclinações de densidade ao contexto sônico.
Sem perder de vista a sua vulnerabilidade e a sua delicadeza, a canção vai caminhando de forma que o violão, entre dedilhares sutilmente swingados e outros em que a leveza marca uma noção de continuidade, permite que o perfume que inebria o espectador confira, ao ambiente, brisas de uma nostalgia tocante. Suspirante, em certa medida, é interessante perceber que, após uma breve pausa, a canção tem sua sonoridade transformada.

Mantendo a sua natureza instrumental rigidamente minimalista, a canção, agora, passa a acompanhar um violão que se aventura por meio da experimentação da construção de uma melodia inspirada na métrica do flamenco. Entre tensões e momentos de um drama teatral, Hidden Andalucia, ao ser inspirada no trabalho de John Dowland, coloca o espectador em contato com um sentimentalismo generosamente aguçado.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/5f83vtRoIg611zufq6A6ID
Soundcloud: https://soundcloud.com/user-968993567/winters-light




