Entre no mundo assombrado do Gothic Aesthetic — uma dupla de rock cinematográfico que mistura metal gótico, baladas sinfônicas e escuridão teatral. Eles chegam com o álbum de estreia, “Tales of the Dark Forest”, que é um conto de fadas sombrio em 10 atos, onde trilham caminhos mesclados por diversos gêneros, sendo os principais o heavy metal, power metal, symphonic metal e gothic metal.

O projeto chega com essa premissa e tem um bom resultado ao conseguir equilibrar tudo da melhor forma possível, onde praticamente nenhum subgênero se sobrepõe a outro, o que faz do disco algo mais abrangente possível.

De produção ultramoderna, onde os timbres estão redondos e os vocais mantém uma afinação incrível, beirando o inumano, o trabalho ganha consistência. Outro ponto forte são as variações rítmicas, que fazem com que o disco soe mais versátil e torna a audição do trabalho ainda mais prazerosa. Tudo com peso e melodia na medida certa.

Combinando temas de fantasia sombria com vocais teatrais e narrativa poética, o projeto mescla rock sinfônico, metal melódico e uma atmosfera inspirada no terror, onde os temas trazem variedade, sendo uma faixa cada capitulo, indo de casamentos amaldiçoados a florestas assombradas, o que combina muito bem com a estética sonora.

Outro ponto forte do trabalho é sua objetividade. O disco, que como dissemos traz 10 faixas, rola durante quase 47 minutos, o que dá uma média de quatro minutos por faixa. E isso tudo é tempo suficiente para arranjos bem incluídos e uma execução que explora bem todas as camadas necessárias.

O disco abre com “Witch”, uma faixa potente, perfeita para ocasião, que traz inclusive elementos de tudo que eles apostam, indo do power metal mais agressivo, passando pelo sinfônico com fundo erudito, uma aura sombria do gótico e o refrão poderoso que só o heavy metal pode causar.

Já a segunda faixa, “The Raven”, é uma das melhores do disco. Como um power metal sinfônico, trazendo influências claras do Powerwolf, a faixa prima por aqueles coros belos de fundo e um refrão magistral, que ficará na mente logo na primeira audição. O riff de guitarra é bem interessante.

Como o nome entrega, “Cursed Forest” chega com seu teor mais sombrio, sem perder a dinâmica e a melodia que caracterizam a música. A faixa, que conta com incursões de vocais femininos, um tema que gira em torno de sombras, feitiços ancestrais e pecados esquecidos.

Já “Iron Mask” é daquelas composições que primam por trazer um trabalho mais objetivo, onde o refrão tem aquela linha vocal mais longa, exigindo um pouco mais de esforço. Agressiva, a música traz uma bateria de pegada intensa e solo de guitarra arrebatador, que deixa tudo mais na linha do heavy metal tradicional.

Eis que chega “Blood of the Moon”, uma parada gótica que deixaria o Moonspell orgulhoso. Com a letra tendo como mote rituais lunares e desejo sacrificial, a faixa prima pelo ar sombrio e introspectivo, mas não diminui no ritmo, onde bebe diretamente na fonte do Lord of the Lost.

“The Marionette” abre a segunda metade do disco, onde a banda prima por manter seu ritmo típico, as melodias acessíveis, chamando atenção os sintetizadores ao fundo, que soam até de forma discretas, mas essenciais à proposta, dando um diferencial à faixa.

Eis que o pé é colocado no freio para a passagem de uma balada operística que serve como trilha de um casamento amaldiçoado sob um céu sem lua, onde uma aura romântica, aterrorizante e trágica toma conta, tendo como trilha guitarras poderosas, seção rítmica marcante e orquestrações que elevam o requinte dessa poderosa composição.

Mas, logo chega “The Damned King”, uma faixa que traz toda a agressividade de volta, nos encaminhando para a reta final desta jornada sombria e instigante, do qual muitos fãs de música e literatura se sentiriam muito bem. A faixa mantém o poderio de instrumental consistente e refrãos magistrais, e ainda conta com incursões de narrações sombrias.

Túmulos se abrem, risos surgem. Uma celebração horror-punk de esqueletos, tábuas rangendo e brindes à meia-noite. Um violino abre essa magistral canção chamada “Gothic Feast”, que tem uma aura um pouco menos sombria, talvez mais sarcástica, num nível que mantém a personalidade do Gothic Aesthetic de forma intacta.

Até que a cartada final vem com “Final Bell”, uma música que não se faz de rogada, mantém a pegada do disco e não cai no clichê de faixas chorosas de encerramento. Trata-se de uma música sinfônica e épica, porém objetiva, que prova que não precisa ser longa para dar um adeus!

O resultado final de “Tales of the Dark Forest” é que estamos diante de um trabalho de roupagem moderna, mas que preserva raízes mais nostálgicas do rock e do heavy metal, mantendo a chama acesa. E assim, a dupla formada por Savage e Savannah fecham esse mausoléu sonoro construído a partir de perda, drama e um toque de glamour gótico.

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