Georg Óskar é um dos artistas mais proeminentes, completos e multi-facetados surgido nos últimos tempos! Nascido na Islândia e radicado em Oslo, sua formação em Belas Artes (na prestigiosa Akureyri School of Visual Arts do país de origem), acarretou diretamente no talento das composições, onde o permeio abstrato se faz presente em sua onipresença experimental. A maturidade musical frente a toda a experiência absorvida, proporcionou um mergulho perante o novo totalmente desprendido do temor em relação a ousadia!
Sua música desde a arrebatadora estreia em 2021 com o single “Walk on The Water”, preza por um universo sensorial frente ao desconhecido, e a denominação do autor é perfeita: “criação em traços largos, desenhando a partir de uma paleta híbrida analógica e eletrônica”. A premissa ambient se faz presente em contexto poderoso, mas sempre num processo de intensa expansão frente as múltiplas influências. Isso se torna característica determinante na mais nova empreitada, a jornada contundente do EP, “Late night Good night”, um conjunto poderoso de sete canções! A parceria com o exímio cantor e guitarrista Anthony Johan Lovaas, que participa de várias faixas desprendendo talento, é o primeiro ponto inicial para ser destacado frente a essa obra realmente impressionante.
O início dos trabalhos se dá com “The Day I Die”, onde os sintetizadores em profusão promovem um arquétipo soturno mas carregado de intensidade gradativa, que recebe como um poderoso efeito de elemento surpresa, suntuosas vozes lúgubres que acabam trazendo em sua companhia o beat embebecido em groove que “abduz” instintivamente! Os elementos minimalistas invadem a melodia hipnótica que determina os rumos da viagem, trafegando o processo para um status de trilha-sonora ficcional, com uma rica variação de imagens sendo suplantada em nosso subconsciente. Uma característica interessante a se situar é o aceno para as pistas, por mais que percebamos que o contexto não se construiu com esse fins. Mas que fatalmente remixes serão concebidos dessa experiência, disso não temos dúvidas!
“I am Dead” mantém a progressão lúgubre com os belíssimos vocais embebecidos em lisergia, que recebem synths em aspecto progressivo e futurista de “todos os lados” possíveis. Apesar da percepção com o cenário dark oitentista, o permeio vai sendo conduzindo para instâncias épicas, onde as concisas e singelas simultaneamente intervenções da guitarra, promovem um espetáculo de grandes proporções. Impressiona o nível externado até o momento, lembrando que ainda temos mais cinco canções pela frente! Em “My Name Is Superstar” os tons são mais edificantes, repleto de cores vívidas e embarca direto em permeios dançantes de extrema categoria! A voz mais uma vez expressa seu poderio (remete a David Byrne fase Talking Heads0, e os insights ambient dotados de minimalismo levitam pelo universo promulgado, contribuindo para uma fábula em vários estágios, já que as mudanças abruptas de cadência continuam… INCRÍVEL!

“I have no Choice Because it’s Mine” tem uma atmosfera esfumaçada lounge que alçando degrau por degrau descamba em um universo fantástico, onde o abraço a psicodelia se faz presente em caráter intermitente. Syd Barret (o criador do Pink Floyd e um dos papas do acid-rock) onde estiver, com certeza abriu um sorriso de orgulho pela espacialidade rumar mediante esses caminhos tão deliciosamente inóspitos! Mas voltamos para estruturas ambient mais clássicas em “Love is Pain”, onde os teclados a la Vangelis promovem um duelo dos mais furtivos com a linha vocal que mais uma vez (para variar!) se destaca subliminarmente. Fica perceptível que seu ofício enquanto artista plástico é devidamente pincelado como tinta escorrendo frente a uma tela e com Georg instigando cada respingo frente a construção de suas histórias.
Aliás as narrativas imergem em sua verve poética com total harmonia ao instrumental/conceitual, assegurando que a experimentação é livre e fluida, mas sem lampejos tresloucados no qual perde-se o mecanismo de excelência para que a engrenagem funcione. “Stuck Is This Limbo” surpreende mais uma vez com uma levada repleta de imersão étnica, que é devidamente assolada pelos sintetizadores virtuosos e emergidos em acentos cósmicos e grudentos, determinando uma resplandecência pop admirável e que surpreende magistralmente!
E chegamos a encore com a faixa-título, mais um impacto de efervescência frente a recriação de um baixo analógico clássico amplamente sedutor, onde os estigmas sonoros que caminham paralelamente a um paradigma pesado e caótico, desprende com clara influência EDM, brados vigorosos sobre o amor, a obsessão e o declínio da civilização ocidental. Um poema declamado levitando por temas profundos como amor, luxúria e obsessão. Sabe aquelas faixas que já nascem com o status indubitável de hino, tamanho o poderio desprendido? Pois é, esse é o caso dessa preciosidade!
Aliás, IMPOSSÍVEL destacar canção no caso de uma obra-prima como “Late night Good night”, que fatalmente encaminhará seu nome para os recantos mais inóspitos do planeta, porque realmente é um disco que exaure personalidade pelos poros, denotando a grande identidade artística que se propõe. SENSACIONAL! Disponibilizado abaixo, a obra-prima de Georg Óskar:
https://www.georgoskar.com
https://youtube.com/@Georgoskarmusic
https://www.instagram.com/georg_oskar
