Follow Me | Dr. M. anuncia álbum que inaugura novo subgênero do metal

Ela definitivamente chama a atenção do ouvinte. Seja pela movimentação melódica amaciada, pela sua natureza sônica lexicalmente açucarada ou pelos golpes estridentes e ecoantes executados sobre a superfície da caixa, a obra explora um ambiente introspectivo e aconchegante que desperta a curiosidade daqueles que se aventuram pela sua audição. Esteticamente delicada e guiada por um viés lírico dominado por uma voz masculina de pronúncias igualmente vulneráveis em meio às suas características equilibradamente agridoces, a faixa-título conta com o teclado como um dos instrumentos essenciais na construção de sua esfera sensorial. Majoritariamente linear no que tange ao seu desenvolvimento harmônico, a obra apresenta momentos pontuais de uma grandeza que a torna marcante e até mesmo tocante.

A textura seca de um chimbal que sugere sinais de digitalização não é o elemento que mais se destaca, ao menos não durante a introdução. Afinal, nesse recorte, o teclado constrói uma base melódica serena, doce e respaldada por uma segunda camada, logo abaixo, cuja sonoridade expressa um dulçor levemente ácido que parece vir a partir do sintetizador. Com direito à presença da flauta no seu time instrumental, a composição consegue oferecer uma nova fonte para justificar a sua postura vulnerável enquanto o floral vai se dissipando gradativamente com o desenrolar das frases rítmicas. Nesse aspecto, em contato também com a esfera harmônico-melódica proposta pelo teclado, Blinded By Love expressa uma atmosfera romântica bastante pegajosa que muito traz consigo da influência do AOR em seu desenho estético-estrutural.

Pela afinação e pela textura sugeridas pelo violão, a música pode até passar a ideia de se propor a testar o folk como a sua base paisagística. Porém, basta alguns segundos a mais para perceber que a obra se desenvolve de uma maneira que coloca o som das palmas como indícios rítmicos. A partir daí, se tem, também, a ideia do pop como um de seus ingredientes imprescindíveis. Assim que o primeiro verso se anuncia e o vocalista entra em cena com seu timbre afinado e adocicado, a faixa expressa uma naturalidade blues com traços de rock como textura que muito remete ao estilo sônico irreverente de Elton John. Estimulante, animada e, acima de tudo, dançante, It’s All Music, além de mostrar o cantor explorando seus falsetes maduros, captura a contribuição dos backing vocals a ponto de pincelar toques etéreos na paisagem sensorial.

Nascida por meio de sobreposições vocais que inferem ideias de uma natureza unicamente sintética, a canção combina um dulçor agudo, uma brisa esvoaçante, uma guitarra melodicamente distorcida e pulsos rítmicos firmes de forma a construir um ambiente de inclinações libidinosas. Ainda que alguns movimentos contorcionistas feitos pela guitarra sugiram algo sensual, a verdade é que (Anyone Can Be A) Hero esboça uma energia motivacional irresistível quanto mais avança em meio à sua própria desenvoltura. Pulsante e esteticamente envolvente, a faixa parece estimular o senso de resiliência e determinação no ouvinte perante as adversidades da vida e os confrontos dos dias atuais.

A partir da união do som da chuva com o corujar pronunciado pela coruja, a canção permite ao ouvinte a percepção de algo inerente ao natural, mas também ao aspecto de tranquilidade em meio à energia noturna. Trazendo, a partir daí, um escopo melódico introspectivo e de insinuações suspirantes, é até interessante de se observar como a obra estimula a fusão entre a dramaticidade e a melancolia. Destacando um viés reflexivo esboçado principalmente a partir dos backing vocals de performances guturais unificadas, On The Foggy Way Back Home, apesar de se utilizar de guitarras distorcidas e ásperas, traz aspectos harmônico-melódicos que se associam brevemente àqueles alcançados por Mariah Carey em Without You, seu respectivo single. Felizmente, o fato de a presente obra apresentar mudanças no seu compasso, proporciona ao ouvinte a possibilidade de se beneficiar do senso de movimento consequentemente produzido.

O som adocicado, açucarado e estridente que rasga o uivar do vento durante a introdução sugere vir da flauta de pan, conduzindo o ouvinte a inferir estar diante de uma atmosfera de desenho estético minimamente tribal. Com direito a um som estridente e levemente metálico preenchendo a superfície melódica de forma a sugerir ter como fonte instrumentos da família dos cordofones, a composição invariavelmente se beneficia de um aspecto excêntrico por dispor de silhuetas árabes. Curiosamente, a faixa ainda possui menções rítmico-melódicas que ainda sugerem a iminência do caos perante uma camada lírica vocálica e gutural esboçada sobre inflexões que sugestionam o maqam como base. Como a segunda obra mais longa em duração do álbum, ultrapassando a marca dos sete minutos, Welcome To Babylon mistura, perante o seu desenvolvimento, sabores sonoros inerentes ao hard rock, ao power metal e ao AOR.

Marcada pela densidade e pela dramaticidade desde o seu início imediato, a canção traz uma melodia suave, mas cujos sinais harmônicos sugerem a melancolia como a sua fonte sensorial. Frases rítmicas com pulsos duros e golpes que fazem ecoar a estridência da superfície da caixa ainda conseguem amadurecer esse viés emocional e dar a Song To The Sun um tom de lamúria. Curiosamente, porém, a faixa ainda possui momentos em que o seu aspecto sonoro consegue se assemelhar com aquele existente em Glory Road, single do Smith/Kotzen, traduzindo uma inclinação focada na ideia da superação.

Eis aqui um disco que não deixa dúvidas. Podendo ser definido por uma série de caracterizações a depender do ângulo em que é analisado, Follow Me traz a audácia da irreverência e o poder da coragem como os seus principais motes estético-estruturais, afinal, ele oferece uma paisagem inovadora, mas que não se envergonha de ilustrar as suas influências.

No decorrer de suas nove canções, o álbum apresenta sinais estilísticos que indicam o power metal, mas também instantes em que o hard rock e o AOR, a sua vertente para grandes arenas, se fazem presentes. A partir daí, sons grandiosos e melodiosos, às vezes até pegajosos por fornecerem doses exacerbadas de açúcar, se formam, deixando o material ainda mais potente em seu caráter de apelo.

Ainda assim, o que essa miscelânea de vertentes do rock em direta interação mostra é o fato de que, em Follow Me, o Dr. M. fecundou um novo subgênero dentro do universo do metal. Especificamente, ao promover o encontro do adulto contemporâneo com o heavy metal, obteve-se o adult metal. Esse é o verdadeiro legado do presente álbum.

Mais informações:

Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/184gUOvyHc4K2j3NB55PIy

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Soundcloud: https://soundcloud.com/aths87

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