É difícil se manter distante da sua energia, do seu compasso – mesmo que ainda sem um elemento propriamente percussivo. A canção, logo em seu início imediato, desfila sedução, contágio, swing e provocação. Aparentando, mesmo que levemente, sofrer influências de James Brown em virtude tanto de sua estética funkeada e pela forma como o enredo lírico vai ganhando vida, a faixa se mostra agraciada por uma boa interação do baixo com seu ecossistema.
Encorpado, swingado e sedutor, o instrumento, muito mais que oferecer corpo e densidade à sonoridade da obra, amplia o contágio e consegue oferecer firmeza para que a temática disco também vá ganhando espaço conforme a estrutura sônica se desenvolve. Sexy, mas sem ser vulgar ou se apoiar no caráter propriamente sexual, a faixa, ainda, possui grandes sinais de R&B em seu contexto, algo que, também, é obtido pela forma como o vocalista pronuncia as palavras do conteúdo verbal. Com melismas bem executados, a melodia é potencializada e, a harmonia, fortalecida.

A partir daí, a canção, invariavelmente, acaba transpirando uma identidade setentista inquestionável e irresistível que, ao mesmo tempo, é dançante, contagiante, festiva e, principalmente, marcada por um comportamento expansivo calorosamente receptivo. Contando com linhas rítmicas precisas, Fashion Fever ainda consegue se apoiar na precisão com que Nando Pettinato encarna o swing até mesmo no âmbito percussivo, defendendo a sua alma vibrante e envolvente.
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Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/2bK1KqXSqndG9uXZO4426d
