O Etudes Study Group é um trio performático interdisciplinar sediado em Londres, composto por Jo Morrison (vocalista, performance ao vivo), Ningrui Liu (vocalista) e Felix X Tigersonic (baixo eletrônico). Se o leitor (futuro ouvinte) já imaginou algo experimental somente pelo fato do que apresentam como função dos integrantes, acertou em cheio.
Em seu trabalho, que constitui três composições distintas, lançadas separadamente (como exposto no link no final do texto), não têm a intenção nenhuma de soar convencional. Muito menos em criar um estilo ou transitar por algum gênero e seus derivados. O que o trio faz aqui é explorar sonoridades.
O trabalho deles é enraizado em música experimental, trabalho vocal e arte ao vivo, no qual o grupo realiza improvisações estruturadas usando o Etudes — um conjunto de cartões de instruções de performance criado pela artista Sharon Gal. Cada performance é uma resposta única e em tempo real aos cartões.
Ouvir as composições do Etudes Study Group é uma tarefa que exige atenção e assim que se compreende o propósito, se torna também uma atividade experimental, porque os diversos sons que impregnam em nossas mentes, nos fazem ouvir e enxergar sonoridades distintas de forma diferente, o que é uma experiência e tanto.
“Slow Without Losing the Flow”, por exemplo, tem a presença constante do baixo, que faz uma cama consistente para os experimentos vocais e a inserção de sons de objetos e um rádio com a frequência em busca. A música nos remete aos experimentos de Yoko Ono, guardadas as devidas proporções.
“Beginning”, para os conceitos do grupo, é uma faixa mais melodiosa e de atmosfera sombria. É incrível como o trio improvisa de uma forma que permite que o ouvinte imagine o cenário, mesmo aqui, em menos de dois minutos de puro experimento sonoro, causando diversas e estranhas sensações. O que talvez seja a intenção.
Por fim, “Get Some Ears” é um épico de mais de 13 minutos, onde eles exploram batidas e vocalizações tribais, além de tons eruditos e trabalhos líricos de voz, o que dá uma atemporalidade incrível à performance.
De fato, como dito na apresentação, o trabalho do Etudes Study Group atrai público para um ambiente sonoro contemplativo e imersivo, onde som e gesto se desdobram sem um roteiro fixo. A sensação é a mais diversa possível e causa vontade de presenciar toda a execução das músicas, que também são peças, atendendo diversas linguagens artísticas. Não é para qualquer um, mas deveria ser pra todos.
