Podemos enumerar diversas coisas que são fundamentais para a arte e nenhuma delas se encaixa no contexto frio que a inteligência artificial, conhecida como IA, possa definir. Logo, é bom separar o joio do trigo para entender que um artista que utiliza isso como ferramenta, não está a utilizando em seu lugar. Por isso, em meio ao que ouvimos hoje, esse recurso soa como um instrumento, por mais que muitos não aceitem.

E temos em mãos o novo trabalho da Eclectic Whiz, que é uma artista audiovisual e bruxa eclética (sacou o nome em inglês?) cujo trabalho abrange cinema, composição e artes visuais. Moldada por uma imersão vitalícia na criatividade e forjada por desafios pessoais, ela canaliza a expressão igualmente por meio do som e da imagem.

Misturando e moldando gêneros em formas sonoras originais, ela transita fluidamente do caos à serenidade, da abstração ao gótico ou vívido, criando obras imersivas que funcionam tanto como magia quanto como escultura — ressoando em níveis emocionais, simbólicos e sensoriais.

E não estamos diante de uma artista qualquer, mas sim de uma que pensa e muito sobre aquilo que produz. Tanto que ela declara que “Música e arte foram constantes durante o crescimento, tanto como meios de sobrevivência quanto como catalisadores de alegria e empoderamento. Carreguei esse impulso pelo ArtCenter College of Design, transitando entre cinema, som e arte, mas a música geralmente era a que brilhava mais intensamente. Ela me atravessa de uma forma que nenhuma outra consegue. Eu a uso não apenas para processar o que irrompe, mas também para amplificar o que irrompe.”

Pois bem, como o leitor (futuro ouvinte), pôde notar, ela também tem formação na área, o que lhe dá um conhecimento de causa mais acadêmico, porém que não se restringe a isso. “Quando componho, às vezes o som parece a porta, às vezes a chave”, e isso explica muito bem o conceito com que lidamos, alguém que une a teoria e a prática como deve ser.

Um dos resultados disso é seu mais novo EP, este “5:55”, que mostra a artista trilhando diversas facetas dentro da música eletrônica, em cinco imponentes faixas, onde a versatilidade dá as cartas. Tudo com uma produção decente e cristalina, que hoje em dia praticamente se tornou obrigação.

O disco começa com um ar misterioso. “White Noise (With Metal Media)” é uma faixa que começa com certo suspense e cai em um EDM moderno / futurista, de batida consistente e sintetizadores que vibram na medida certa nas bases. Os vocais femininos dão certa sensualidade, com timbres aveludados.

Já “Like An Alien (With Metal Media)” é uma das faixas mais agressivas do disco. A música traz contextos industriais e chega a flertar com o metalcore, principalmente quando ganha uma batida mais intensa, bases distorcidas e vocais que beiram o gutural. Claro, tudo mantendo o contexto eletrônico.

Já “She Is (In The Wall)”, traz até emulação de plateia em seu início, já dando a entender que é uma música que prima por trazer um contexto digno de um som de arena. E é exatamente assim que a faixa soa, já que sua intensidade se encaixa perfeitamente nisso. O mais interessante da faixa é que em meio a intensidade, de bases hipnotizantes, ela ganha um respiro com elementos atmosféricos, além dos vocais que vão do natural ao quase operísticos em poucos segundos.

Eis que surge um épico e ele se chama “Fracture Point (With John Slegers)”. Com mais de sete minutos, a música traz muito do synthpop oitentitsa, inclusive na sua batida dinâmica e a melodia apoteótica. Com quebras dignas de Pet Shop Boys, de fundos viajantes magistrais, a composição prima por um clima emotivo que encanta e pode ser considerada uma das melhores do EP. O final com um refrão sendo cantado em coral é simplesmente magnífico.

Por fim, “Time” chega como uma composição quase que oposta à faixa de abertura. Além de encerrar o disco, ela, que tem de semelhante o início misterioso e com suspense, soa como uma balada tribal, onde ritmos diversos se encontram em sua batida. Crescendo gradativamente dentro de si, a faixa vai ganhando mais intensidade tanto em sua batida como nas bases melódicas, o que dá uma sensação de um encerramento épico, que é o que acontece.

Podemos tirar algumas conclusões importantes diante de “5:55”. A primeira delas é de que enquanto um humano tiver no comando, a IA poderá auxiliar sem problemas, pois o sentimento, o ‘feeling’ como muitos dizem, irá ser mantido, dando mais qualidade e honestidade às composições, principalmente nessa veia eletrônica.

A outra é que o talento de Eclectic Whiz, moldado à sua identidade, de forma natural, e aperfeiçoamento através de pesquisa, é algo raro, que deve ser espelhado e levado como uma grande inspiração. No mais, a audição dos quase 30 minutos deste fantástico EP, deve ser feita no melhor volume e à vontade!

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