Tāmaki Makaurau deriva seu nome do nome em língua Māori para Auckland, que significa “Tāmaki desejado por muitos”, em referência à conveniência de seus recursos naturais e geografia. E, como devemos saber, Auckland é uma das principais cidades da Nova Zelândia, porém não a capital como muitos imaginam. Neste caso é Wellington, mas Auckland é o principal centro financeiro.
Pois bem, é de lá que vem essa banda sensacional chamada Echomatica, que conta com quatro integrantes. A vocalista Charlie Maclean, o guitarrista e programador AJ, além da cozinha formada por Scott Samson no baixo e Matt Chong na bateria, dão vida a este projeta que acaba de lançar seu álbum de estreia.
Gravado ao vivo no Earwig Studios com o produtor Darren McShane (Chainsaw Masochist, Superturtle), o álbum de estreia do Echomatica, que é autointitulado, tem uma gravação analógica, o que propícia uma viagem orgânica mais real ao ouvinte, mesmo sendo uma banda que se utiliza e muito de sintetizadores.
Afinal de contas, estamos diante de uma formação que investe na mescla do indie rock, alternative rock e dream-pop. Sem nunca fechar seu leque, nos deparamos com claras referências de Portishead, Joy Division, Garbage, The Cure e Beach House, além de uma personalidade própria que prima por entregar suas camadas de uma forma que possamos compreende-las sem muito esforço.
E, uma das coisas interessantes do disco está em sua elaboração no aspecto individual, onde alguns integrantes enfrentaram problemas no passado que culminaram na identidade da banda. A vocalista Charlie, por exemplo, perdeu sua voz quando pegou covid, e ao recuperá-la notou algumas alterações que fazem de seu timbre de hoje algo bem característico na banda.
O disco é praticamente uma ‘auto’ homenagem, como conta o guitarrista e programador AJ no material de apresentação. “Este álbum é em parte uma homenagem, na verdade, e documenta uma banda encontrando o nosso som. Escrever para nós é sobre entrelaçar os elementos dos grandes compositores que admiramos — tanto modernos quanto clássicos — e perseguir o sentimento de cada faixa. Ainda acreditamos na jornada emocional e musical de um álbum. Era isso que queríamos criar — algo maior do que a soma das partes.”
Já na primeira música, “Breathe”, encontramos uma banda pronta para se destacar. A música, que tem uma introdução atmosférica longa, prende o ouvinte e quando estamos pertos a cair na ansiedade, chegam as linhas vocais revelando o dream-pop com procedência no post-punk, já nos situando bem nessa viagem.
Com um choque térmico imediato, “Heartbeat”, traz batidas intensas, aumentando o ritmo consideravelmente e revelando a versatilidade da cantora, que chama atenção pela sua ousadia e talento. “Something”, um dos singles prévios, chega com um post-punk que deixaria Robert Smith (The Cure) bem orgulhoso, afinal traz aquele violão maroto com um fundo de teclados viajantes que a banda britânica sempre fez tão bem.
“Love Isn’t Always” chega trazendo o dream-pop de volta só que de uma forma mais orgânica e um contexto sensual que descende do shoegaze, além de uma veia jazzística surpreendente. Isso mesmo, a banda também tem requintes vanguardistas e isso prova mais uma vez a versatilidade do quarteto. Não à toa também foi um dos singles lançados como degustação prévia.
Eis que surge “What Is This”, particularmente uma das preferidas do trabalho. O sintetizador que vibra, não apenas fazendo camadas de fundo, é um dos pontos altos da faixa, que ainda traz guitarras belíssimas e um baixo propício, que só complementam essa faixa de refrão encantador e uma veia melancólica linda.
O marco da metade do disco fica por conta de “Technicolor Dreams”, uma música correta, que pode servir como um cartão postal aos menos acostumados com o lado sombrio, já que possui um contexto pop. Enquanto isso “Waves” se revela como uma das mais vibrantes e agressivas (guardadas as devidas proporções) do disco. Com guitarras pesadas, a música de refrão imponente, flerta consideravelmente do a new wave, mas mantendo a identidade da banda.
“Fragile World” chega com a batida mais pulsante do disco, revelando-se uma das faixas mais intimistas, sem cair em tons obscuros e mantendo uma dinâmica interessante. “Month Of Sundays” traz a banda investindo mais no rock alternativo e indie, com guitarras típicas e uma levada cativante, enquanto Charlie faz o contraponto com vocais quase sussurrados.
Com uma batida oriunda do hip-hop, mas dosada para o som da banda, “Confort Me” é uma faixa que prima por crescer dentro de si, sendo uma das mais diferenciadas do Echomatica, mas sem perder a identidade da banda.
E, por fim, explorando temas de conexão e fragilidade em contraste com um ambiente crescente, “Pretending We’re Human” traz essencialmente o dream-pop em suas diversas facetas, com pulsações e vibrações em meio a melodias emocionantes e vocais sensíveis, dando um encerramento digno a esse disco magistral. Você pode até não gostar de “Echomatica”, mesmo assim irá se emocionar.
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https://echomatica.bandcamp.com
