Apesar da aparição de um vislumbre distorcido ressonante preencher os primeiros sinais sonoros da composição, o que acontece tão logo ela amanhece é a fluidez para um ambiente de naturezas branda e fresca. Agraciada por boas doses de uma delicadeza tão densa que chega a ser estonteante, é interessante perceber que, enquanto a levada rítmica se pronuncia dura e um tanto rígida, a melodia, com sua maciez adocicada, já imerge o espectador em meio a lapsos nostálgicos.

De enredo lírico narrado por uma voz masculina de caráter agradavelmente grave em sua boa afinação, a faixa de fato aprecia certo grau de crueza em razão da sua aparência estético-estrutural. Sem interferir no seu grau de contágio em razão dessa adoção sonoro-sensorial, Drugs Don’t Lie se configura como uma obra indie pop que rememora a ambiência musical dos idos de 2000 e 2010.

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