É interessante o efeito fade in que a sonoridade inicial executa antes mesmo de evidenciar a sua origem. Enquanto no instante seguinte o ouvinte se deleita com um dedilhar cuidadosamente macio, fluido e sensual executado pelo banjo, o que umedece a canção com um toque bucólico gracioso, o espectador se depara com um escopo rítmico preciso e sincopado, mas de métrica simples. Crescendo com a presença da guitarra inserindo uma melodia mais aveludada e uma energia mais radiofônica, a faixa-título evidencia uma leveza e uma suavidade penetrantes devidamente engrandecidas pelo timbre afinado e adocicado de Scott Moran, que dá ao folk rock um toque viciante irresistível.
Explorando o azedume e uma breve acidez mais do que a própria melodia, a composição que vem em seguida traz um andamento mid-tempo cru de compasso cuja aparência sônica soa minimamente dura. Dando um protagonismo elevado à guitarra no que se refere à exploração de diferentes superfícies e na elaboração do próprio corpo melódico, a faixa cresce com o desenvolver de um escopo rítmico-melódico linear, mas respaldado por uma boa dose de corpulência exortada pela performance do baixo a partir da base estrutural. Transitando naturalmente entre o rock alternativo com nuances de um indie rock envolvente, God Put Teeth On The Moon ainda brinca com respingos de uma distante, mas perceptível influência do boogie woogie pela nuance sincopada adotada pelo piano.
Fugindo do expansivo e do alegre bem exaltados durante as composições anteriores, o álbum surpreende por colocar o ouvinte em contato com um ecossistema denso e de postura que vai muito além do mero introspectivo. Exaltando a melancolia a partir de sua tomada de aparência acústica, a canção chama a atenção por trazer consigo aquilo que parece ser um banjo elétrico aderindo uma textura mista de maciez e aspereza à paisagem sônica. Ritmicamente sincopada e com direito a momentos sonoros secos e censurados, Pain Just A Colapsing muda a sua atmosfera de forma a envolver o ouvinte em um gradativo ambiente contagiante e atraente.

Explorando uma base rítmica simples e sincopada em meio ao seu compasso linear em 4×4, Tuesdays sai da melancolia inquietante da faixa anterior e retoma, com serenidade, parte do viés expansivo das primeiras composições do disco. Ainda que melodicamente enxuta, apresentando o protagonismo do dedilhar da guitarra diante de uma base curiosamente atmosférica, a faixa se destaca por levar o ouvinte para um refrão de paisagem estético-estrutural popeada a ponto de exibir um sabor açucarado e um viés minimamente dançante.
É verdade que Sixth Of The Six é um disco com uma track list que abarca um total de 12 títulos, mas a profundidade com que explora a sua própria sonoridade é tamanha que o ouvinte consegue identificar boa parte da sua essência a partir da audição de suas quatro primeiras músicas.
Trazendo consigo uma perfeita fusão entre o rock, o folk, a americana e até mesmo traços mais sutis de southern rock e boogie woogie, o disco mostra ser um grande expoente da música raiz estadunidense, mesmo que de forma indireta ou despropositada. Cheio de frescor e um equilíbrio entre o radiofônico e o de viés unicamente sonoro, o compacto se destaca pela simplicidade estético-estrutural e pela forma como explora a versatilidade de seu time instrumental enxuto.
Essa observação pode ser bem vista especialmente em faixas como Christmas Morning, em que o protagonismo do violão é capaz de surtir na construção de um ecossistema aconchegante e cheio de uma ternura melancólica. Do lado exibicionista, porém, Last Chorus destaca o violino e a sua audaciosa camada harmônico-melódica que exala curiosos traços de insanidade. O fato é que cada uma das 12 faixas que compõem Sixth Of The Six faz dele um disco suave, leve e de nuances emocionais marcantes.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/139NCJKERkoT5mvOx8sG3k
Rescue Charlotte: http://rescuecharlotte.org/
Site Oficial: https://moran.bot/




