Muitas vezes buscar a excentricidade dentro da música não significa só experimentar e/ou inventar coisas. Dá pra fazer isso apostando em sons e influências já consolidadas, buscando sua identidade criando uma fórmula e abordagem próprias. Temos em mãos um grande exemplo disso que, além de criar algo cheio de identidade, traz uma forma espontânea de fazer as coisas, além de mostrar certa versatilidade.
Trata-se de Jack Quigley, radicado em Naarm (Melbourne, Austrália), um artista quem tem moldado seu som através de suas vivências e o fez literalmente, afinal de contas entre 2020 e 2023, Quigley viajou pelos desertos centrais da Austrália e por cidades como Cairo, Barcelona, Palermo, Beirute, Djibuti e Adis Abeba.
O resultado disso tudo é seu disco de estreia, este “Upstream Vol 1”, que abre a primeira parte da trilogia “Upstream”, composta por três álbuns. Definida pelo próprio autor como “Anarcho-Pop” (pop anarquista), a trilogia é o resultado do que se torna possível quando a colaboração assume o papel central.
O trabalho conta com diversos parceiros, tanto internacionais quanto locais, unindo artistas com perspectivas musicais e culturais distintas. Entre os colaboradores internacionais estão o artista somali-australiano Qare The Mask; os artistas etíopes Nina Girma e Kamuzu Kassa; a artista egípcia Toqa El Hagrassy; e os artistas espanhóis Carmen Lancho e Queer Indigo Barry Brandon, entre outros — muitos dos quais possuem um público internacional expressivo.
O álbum também conta com talentos locais da Austrália, incluindo Kaine Mauri, Skinny Lips e Johnny Tchooga — um homem Jaru de East Kimberley, autor da canção “Mardoowarra Ngaringa” (“Mulher da Beira do Rio”).
Contando com nove composições, encontraremos muito da world music, sem economizar em elementos, onde encontraremos jazz, flamenco, eletropop, indie e até um pouco de rock. Alguns momentos distintos e outros mesclados trazem uma essência fundamental para as composições.
Ouça “Cairo Streets”, por exemplo, e tente identificar, entre o mote da música do oriente médio, elementos clássicos do jazz e uma distorção que nos remete ao rock. Os metais se entrelaçam a instrumentos tradicionais e um groove dá tudo que pode. Já em “Andalucia” a influência da música latina, incluindo os vocais femininos sensuais cantando em espanhol, se fazem presentes, mas com um tom moderno que deixa tudo original.
Surpreendentemente em “Riverside Woman” o reggae com sintetizadores a esmo pede passagem chamando atenção, enquanto “True Name” cai para o reggae mais tradicional, com forte conotação pop e um pouco de afromusic. O que chama muito atenção em “Upstream Vol 1” é que Jack não se prende em praticamente nada, mas também não perde sua identidade e isso é simplesmente uma façanha e tanto.
https://open.spotify.com/intl-pt/artist/57yY0b3qUfhM8UzEnLsbhQ?si=TyZ96AhmQ-GbM8g1UTla5w




