Com Is That So Wrong?, seu novo EP, Nick Hedden mergulha no universo da música country

Desde o seu início imediato, a composição chama a atenção não somente pelo seu surpreendente frescor, mas pela maneira com que combina leveza sensorial, delicadeza estrutural e uma atmosfera de natureza encantadoramente contagiante. Formada, inicialmente, pela interação harmonicamente sintônica estruturada entre bateria e guitarra, essa paisagem sonora introdutória ainda é agraciada por uma base aromática cuidadosamente proferida pela suavidade das notas do piano. Depois de engatar em um breve processo crescente, a faixa mergulha em um universo sensorialmente entorpecente marcado pela construção de uma energia sensual bastante suave. Na presença de uma voz masculina agridoce proveniente de Nick Hedden, a canção acaba sendo agraciada pela aquisição de um senso de movimento macio e propriamente fluido que facilita, por parte do ouvinte, a percepção de uma brisa de bem-estar extasiante. Abraçada por um enredo rítmico que chama a atenção pelo seu minimalismo, a faixa-título, na sua forma remasterizada, chama a atenção por desembocar em um refrão de natureza leve, macia e, o mais importante: audaciosa em razão de suas inclinações dançantes. Conjunturalmente viciante, a faixa, inclusive, não esconde a influência do folk em sua estrutura, algo observado principalmente pela forma com que o bumbo pronuncia os pulsos rítmicos e induz à percepção de cadência. Tudo cuidadosamente – e audaciosamente – abraçado por um sintetizador que confere à obra uma conotação encantadoramente etérea.

Ela é de uma natureza inquestionavelmente envolvente. Fresca, encantadora e até mesmo entorpecente, a presente faixa se destaca pela sua leveza estético-estrutural, mas, também, pelo perfume bucólico obtido desde o instrumental que acompanha os primeiros vislumbres líricos durante a introdução. Introspectiva e uivante graças ao emprego do efeito do lap steel pela guitarra, a faixa, invariavelmente, permite que o ouvinte identifique a presença de brisas românticas pairando pela sua paisagem. Introspectiva e agraciada por uma base curiosamente atmosférica, a faixa destaca a influência do pop em sua estrutura. Presenteada pela presença do banjo no seu time instrumental, a versão remasterizada de I See You traz consigo não apenas autenticidade, mas uma excentricidade regionalmente interiorana que encanta pela sua simplicidade. Focada ainda mais na conexão emocional e na percepção do outro,  a faixa trabalha na exploração de um lirismo que se ambienta tanto no sentido psicológico quanto afetivo, o que coopera na transmissão de ideias que se associam tanto ao conceito de vulnerabilidade quanto de reconhecimento emocional e de uma espécie de proximidade silenciosa.

Existe algo de diferente no ambiente. Não é apenas em razão do fato de a canção ser puxada por uma frase levemente repicada desenvolvida pela bateria, mas, especialmente, pela forma em que os primeiros sinais rítmicos se unem com a melodia mansa e de postura introspectiva. Mansa e transpirando uma conotação reflexiva, a canção é marcada por uma identidade sensorial que combina, harmonicamente, melancolia e nostalgia de forma a tornar o ecossistema em algo com notável profundidade emocional. Nesse aspecto, é interessante perceber que as pronúncias sussurrantes executadas por Hedden acabam, inclusive, motivando a percepção de um caráter introspectivo de inclinações que chegam a beirar o lamento. Quando chega no refrão, If I Was A Memory faz com que o ouvinte perceba uma curiosa semelhança estético-sensorial para com o ápice de Photograph, single do Nickelback. Afinal, é nesse instante que a presente canção coloca, definitivamente, diante dos holofotes, uma mistura de melancolia e nostalgia de maneira intensa. No entanto, a grande diferença entre elas está no fato de que, na obra de Hedden, o eu lírico busca incansavelmente uma segunda chance para viver com a pessoa que ama.

Diferente da versão remasterizada, a versão original da faixa-título é despertada por meio de uma sonoridade áspera em forma de um aparente mugido efetuado pela guitarra. Inclusive, diante da base melódica, o teclado não explora, necessariamente o veludo, mas, sim, uma tonalidade adocicadamente ácida produzida em meio à sua reprodução do sonar do hammond. A principal igualdade entre os dois modelos, no entanto, reside nos versos de ar. Afinal, na versão remasterizada, é mantida a base rítmica pulsante que confere leveza, frescor e uma delicada nota de aroma no ambiente. Inclusive, nesse recorte da canção, em ambos os casos, a guitarra se mostra o elemento que, além de lhe conferir melodia, oferece, com delicadeza, uma textura áspera que se contrapõe à suavidade de nuances entorpecentes. Outra importante diferença entre elas está no refrão. Enquanto, na original, se percebe uma postura mais expansiva e até mesmo festiva, na atualizada se nota uma escolha por prevalecer o veludo e garantir uma ligeira noção de intimismo.

Ele pode até ser um material curto na contagem de obras que preenchem a sua track list, mesmo sendo um EP. Porém, o que Is That So Wrong? traz ao ouvinte é uma experiência sônica ampla que combina instrumentação sentimental, letras com profundidade emocional e uma mescla equilibrada entre ambiências folkeadas com bases pops.

Marcado pelo aroma interiorano, mas também pela junção de melancolia e nostalgia, de forma curiosamente terna e reconfortante, o EP traz consigo uma junção de introspecção, expansividade e romantismo a partir de uma sonoridade sempre delicada. Importante destacar aqui o fato de que o instrumental soa bem equilibrado diante do trabalho de mixagem, dando, ao ouvinte, a chance de degustar todos os seus elementos de forma cristalina, inclusive o banjo. Produzido por Dan McConomy e mixado por Mohammad Reza, Is That So Wrong? é um produto de musicalidade simplesmente encantadora.

Mais informações:

Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/7CVnE1UwEbTTuWhYavL0kT

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Soundcloud: https://soundcloud.com/nickhedden

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