Com In a World Full of Sheerans, Be More Macklemore, Mark Garvey abre um debate sobre arte, política e neutralidade

Mesmo com poucos elementos adornando a sua paisagem introdutória, a canção consegue criar um escopo sonoro não apenas groovado e repicado, mas inclusive adornado por um swing cru e uma estética fluida interessante que intriga o espectador. Entre o corpo do groove do baixo e a textura amadeiradamente opaca dos suaves repiques feitos na haste da caixa da bateria, a canção se mostra enxuta, porém, com um grau forte de penetração.

Isso se deve a fatores como o timbre empostado de Mark Garvey, que desfila a sua dicção natural e tradicionalmente inglesa, e à própria cadência lírica por ele adotada. A partir daí, inclusive, a letra alcança um patamar de interesse gritante que deixa o ouvinte petrificado enquanto interpreta palavra por palavra e verso por verso pronunciados pelo vocalista. Tudo isso com um tom de deboche que, gradativamente, vai ganhando brisas de uma seriedade cada vez mais intensa.

Contando com um violão cru em contato com um andamento lowtempo da bateria, além de uma surpreendente guitarra distorcida e suja que enaltece o seu viés de brutalidade estético-estrutural, a canção vem para propor uma conversa séria acerca de temáticas bem atuais. Ao abordar o embate entre Ed Sheeran e o rapper Macklemore, Com In a World Full of Sheerans, Be More Macklemore abre um debate sobre arte, política e neutralidade.

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