Cognitive Constellation Corps equilibra o velho e o atual em novo disco

Não é a primeira e nem a última vez que falamos por aqui sobre a infinitude de fórmulas da música eletrônica. Afinal de contas, estamos diante de tal realidade e cada material que nos deparamos notamos que as fórmulas para tal realmente são infinitas e consistem muitas vezes em renovação.

Mas, não somente isso. Há materiais que conseguem nos entregar também o resgate e valorização de sons e sonoridades, revelando uma faceta bem própria e abrangência tão infinita quanto à proposta. Caso isso não fique bem entendido, temos aqui um bom exemplo de um trabalho que caminha pelos trilhos da música eletrônica e suas diversas facetas.

Mas, antes de falar sobre isso, apresentemos a artista por traz do ‘crime’. Trata-se do projeto Cognitive Constellation Corps, que é a visão criativa da artista Brooke Tamsin Clevenger, sediada em Belfast, na Irlanda do Norte, e que atua como a principal compositora, letrista, produtora e diretora conceitual.

Com uma trajetória na música eletrônica enraizada em sistemas sintetizados e computacionais desde meados da década de 1990, Brooke cultivou uma linguagem artística distinta que posiciona a tecnologia como um instrumento criativo responsivo, e não apenas como uma ferramenta de produção.

O projeto conquistou organicamente um público fiel, acumulando mais de meio milhão de reproduções no SoundCloud e desenvolvendo um vasto catálogo de centenas de faixas que exploram a consciência, a identidade, a memória e as dimensões filosóficas da experiência humana.

Em vez de se adequar a estruturas convencionais de bandas ou às expectativas da indústria, o Cognitive Constellation Corps funciona como uma obra em constante evolução, na qual cada lançamento contribui para uma arquitetura maior e interconectada.

Trabalhando a partir de um estúdio caseiro em Belfast — uma cidade moldada pela história, pela resiliência e pela reinvenção cultural —, Brooke criou um ambiente criativo pessoal onde composição, filosofia e cotidiano convergem sem concessões.

Ela chega agora com um novo disco, “Thank You for Your Feedback (I)”, um trabalho que traz a atemporalidade como um dos principais motes, afinal de contas, além da identidade moldada há mais de 30 anos, a artista demonstra o diálogo que mantém atualmente com a inteligência artificial, o que expande ainda mais sua sonoridade.

A temática incorpora questionamentos filosóficos complexos, criando temas que reconhecem nossa condição contemporânea de viver sob sistemas de avaliação, mas responde com acolhimento em vez de agressividade — um ato sutil de reapropriação que prova que o significado humano pode sobreviver e florescer mesmo dentro de estruturas tecnológicas.

“Thank You for Your Feedback (I)” abre com “Opening Loop (i)”, uma faixa em que os teores atmosféricos soam completos, desde o instrumental até as linhas vocais, trazendo sensibilidade enquanto a pulsação cresce gradativamente dentro da composição, sendo uma faixa de abertura fenomenal, que cria expectativas.

“Signal Received (i)” já incorpora um contexto futurista, porém, curiosamente traz influências de synthwave com seus sintetizadores vanguardistas. Isso faz com que a música soe atemporal, apesar das claras referências nostálgicas que podem contradizer o contexto. Coisa que só a música possibilita.

A faixa título simplesmente cai no pop, surpreendendo por fugir um pouco do conceito mais alternativo da artista. Caminhando entre o R&B e o pop em si, a música é um daqueles hits que prendem o ouvinte de imediato. Porém, a faixa soa toda natural, o que dá mais credibilidade.

De volta com “Echo Chamber (i)”, Brooke opta por uma faixa sombria, de batida hip-hop, mas com harmonias pop, inclusive trazendo sonoridades inspiradas no ambient music, com graves bem específicos e muito bem encaixados. O trabalho vocal é um dos mais bonitos do disco.

Eis que também nos deparamos com um trabalho intenso, mas que tem em seu cerne uma mescla de erudição e psicodelismo, que dão um charme à parte. Uma das faixas mais excêntrica e intimistas do disco, “The Curve of Clariy (i)” é direta e objetiva.

Voltando a um contexto mais erudito, a balada intimista, mas sem ‘pieguismos’, “Threadbare, Threadshare (i)” chega surpreendendo, com um instrumental tateado muito bem desenvolvido e trabalho vocal inspirado, onde ela soa cheia de sentimento e sendo uma das faixas sensíveis do disco.

Caindo num contexto dance noventista de mexer com os brios dos mais nostálgicos, “The Response Loop (You´re Still Talking)” é uma faixa que entrega um trabalho versátil de sintetizadores, batida dinâmica e uma das que mais trazem influências vanguardistas.

E se “Harmonic Distortion (i)” não se traduzisse pelo próprio nome, não estaríamos aqui a descrevendo tão bem. Trata-se da faixa mais próxima do eletrônico, com sintetizadores distorcidos e batidas caóticas. Somente o vocal limpos faz um contraponto, que soa agressivo nos momentos certos.

Fechando o disco temos “Always (i) [Sevahem]”, um pop eletrônico de fundo erudito que encanta com sua abordagem introspectiva e arranjos belíssimos, soando como uma perfeita faixa de encerramento. Sem dúvidas, em “Thank You for Your Feedback (I)” o Cognitive Constellation Corps consegue atingir uma atemporalidade natural e entrega um disco maravilhoso.

https://www.brooke.ltd

https://www.facebook.com/people/Cognitive-Constellation-Corps/61575629466947

https://open.spotify.com/artist/2OPLTSyP1EI1IdoscbH653

https://soundcloud.com/brooke-clevenger-xenith

https://cogconcor.bandcamp.com

https://www.youtube.com/channel/UCMrfqsdq885ZNy8i5XJ_6lA

https://www.instagram.com/cogconcor

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