Cogley relança magistral “Deep Blue Sky” com faixas bônus

Paul Cogley é daqueles artistas inquietos, mas não no sentido de sempre querer reinventar a roda. Trata-se de alguém que não se acomoda, além de ter uma abrangência imensa de influências que reflete em sua sonoridade. Porém, sua música tem um mote, mas ele nunca fecha seu leque e uma amálgama de elementos a compõe.  

Isso pode ser conferido em seu mais novo disco, “Deep Blue Sky”, que acaba de ser relançado e por motivos que comprovam essa personalidade de Cogley. Lançado originalmente em 2022 com 12 músicas, o disco saiu comente em CD e streaming. O artista colocou sua vontade de lança-lo em vinil duplo no ano passado e acrescentou quatro novas músicas.

O álbum é um guia sobre como se redimir neste mundo louco onde todos nós perdemos um pouco o rumo. Ou seja, ele consegue inserir um tema que não sai de moda, infelizmente, mas que se transforma assim como qualquer ser vivo.

Dentre outras peculiaridades, no disco original o músico e compositor lançou-o sob a alcunha de Paul Cogley, sendo que no relançamento atende agora somente pelo sobrenome. Com arte totalmente nova, inúmeras remixes e, em alguns casos, reimaginação, tudo finalizado com uma gloriosa remasterização do lendário engenheiro de som Robert L. Smith, que também possui um impressionante histórico de trabalhos com Paul McCartney, Aerosmith, U2, Lady Gaga, David Bowie e outros, o disco chega renovado e se mostra atemporal.

O disco abra com a futurística e psicodélica “Mr. Spaceman”, que tem um olhar brando, com guitarras bem sacadas e uma veia progressiva. Ela já revela a doçura e imponência da voz de Cogley. É seguida por “What If It Were You”, que é uma faixa mais intensa e de dinâmica maior, além de mostrar consistência, mas sem perder a abordagem sublime, que é uma das principais características do artista.

“Lament” é a primeira, mas não única faixa instrumental do disco, já que Cogley intercala com canções. Ele mostra uma sensibilidade incrível, pois consegue entregar músicas com mensagens, mesmo sem letras. Na ocasião, um dedilhado acompanhado por discretos e tristes sintetizadores ao fundo marcam a composição, que gera diversas sensações emotivas.

Logo chega “Longing”, uma faixa que une orquestrações ao fundo com um groove de uma cozinha vibrante e levada descontraída, tudo sem perder a veia progressiva. “The Flimflam” é outra instrumental, onde as cordas elétricas da guitarra se entrelaçam com as vibrações do baixo, em um som alternativo robusto e cativante. Cairia muito bem como trilha de um western spaghetti.

Com uma classe impressionante e melodia cativante na medida, ele entrega “Everything Changes”. Já em “A Million Miles Away”, Cogley trabalha o instrumental com sintetizadores, mostrando uma música levemente experimental, mas que não cai em modernices baratas.

Encerrando a primeira metade do trabalho, “Who’s Keeping Score?” chega com um instrumental versátil. A faixa prima por trazer sintetizadores psicodélicos, um violino muito bem sacado e elementos percussivos que dão um ritmo diferente. “Russial Doll” é outra instrumental que mostra a genialidade do artista, caindo nas graças de um synthpop psicodélico, onde nos imaginamos numa pista de dança dos anos 80.

E quem achou que o reggae ia ficar de fora, ele chega muito bem inserido à sonoridade de Cogley em “All The Love Inside”. Ou seja, dá o ritmo e traz seus elementos sem que ele deixe sua identidade de lado. Mais uma façanha desse artista magistral.

Em “Staring At The Stars” ele entrega uma instrumental mais básica e orgânica, unindo o progressivo e o blues com uma guitarra de timbre sensacional. E como se não pudesse nos surpreender ainda mais, em “Dust In My Eyes” Cogley mantém sua veia, mas com orquestrações e um leve toque alternativo. O violino moderno e a harpa são simplesmente fenomenais.

“Pebble” chega como um folk moderno e sintetizado, inspirado claramente em Beatles. Enquanto “Digital Child” é outra faixa instrumental comandada por sintetizadores, mas agora com uma veia futurista eletrônica dançante.

Antes da despedida final, “Epitaph” chega com um dedilhado emocionante, inspirado no neoclássico e com uma camada atmosférica discreta ao fundo. A música simplesmente traz muitas reflexões, despertando sentimentos, mostrando o tino de Cogley em entregar composições que consigam deixar o seu recado, mesmo sem letras.

O disco fecha com a faixa título que, curiosamente, não existia no lançamento original de “Deep Blue Sky”. E a genialidade de Cogley fica por conta de entregar uma canção que praticamente resume o disco, já que o instrumental une acústico, elétrico e eletrônico, além de orquestrações discretas, em um progressivo de teor alternativo com a voz belíssima do músico.

Paul Cogley é originalmente da Inglaterra e toca em bandas desde sempre, desde sua primeira apresentação pública aos 13 anos. Desde 1986 nos EUA (hoje em Seattle), é um artista que soube absorver tudo isso e consegue repassar em sua sonoridade. Ouça esse disco maravilhoso e comprove.

https://cogley.bandcamp.com/album/deep-blue-sky

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