Desde o seu início imediato, o que a canção de abertura traz é um calor com características típicas de um interior desértico, mas cheio de sensualidade. Puxada por uma bateria trotante seguida de uma guitarra distorcida, mas ao mesmo tempo melodiosa e – audaciosamente – aveludada, a faixa ainda se vê na presença de um teclado que preenche parte dos espaços sônicos com um vislumbre harmônico doce e ácido. Evidenciando, com notável desenvoltura, um mergulho profundo no universo da música folk, a presente composição vai fazendo com que as suas silhuetas denunciem o southern rock como o seu guia estilístico. Ganhando frescor e um tom levemente reflexivo durante a sua segunda etapa introdutória, When Heroes Say Goodbye apresenta Clay Dubose, um vocalista de voz aveludada, afinada e aromática que preenche o escopo lírico com uma delicadeza até viciante. Inclusive, é ele quem dá o tom narrativo que tanto prende a atenção do ouvinte nessa que é abraçada por requintes melancólicos conforme se aproxima de seu ápice conjuntural.
As guitarras, aqui, se combinam de uma forma interessante. Enquanto uma rebola em meio a uma distorção um tanto ácida e gorda, a outra se apodera da dianteira melódica com um swing mais limpo e agudo. Fluindo para um escopo introdutório que, muito além do aconchego, transpira maciez e uma capacidade de contágio notável, a faixa destaca a sobreposição do teclado a partir de uma sequencial nota açucaradamente áspera e outra camada de teclas pulsantes. Ainda que forneça um breve vislumbre de boogie woogie, o que esse compasso faz é simplesmente recepcionar o ouvinte em meio ao clima do blues. De ritmo calcado em uma cadência tradicionalmente 4×4, a canção adquire uma singela fluidez que respalda o conteúdo verbal entoado, agora, por um vocalista que se vê explorando uma tonalidade mais nasal. Em Winning Streak, o swing é proclamado a partir de uma certa linearidade estético-estrutural que conduz o ouvinte perante um enredo que mistura, criativamente, cenários de amor e de jogo. A paixão dialogando diretamente com a sorte e o acaso em uma verdadeira metáfora para a força do destino.
Ela é marcada pela leveza. Quanto a isso, não existe questionamento plausível. Conforme a guitarra soa a contração de suas cordas de forma a produzir um som aveludado, o teclado se apodera da base sonora com um dulçor envolvente enquanto outras de suas notas, sobrepostas, dedilham um toque mais fechado, mas sem perder totalmente a estética da maciez. Um ponto importante a ser destacado é que, na presente canção, o ouvinte pode se atentar, pela primeira vez, na presença do baixo. Com um groove encorpado pronunciado por meio de pulsos cuidadosos, ele insere consistência e uma leve densidade que fortalece a sonoridade conjuntural, de forma a fazê-la soar mais firme. Bem mixada, portanto, a faixa chama a atenção também por trazer consigo uma postura, além de introspectiva, respaldada em um torpor envolvente. Misturando nuances de contemplação, mas também de reflexão, a faixa-título se movimenta linearmente durante sua execução quase total, algo que, graças às ligeiras mudanças de modulação vocal e quebras rítmicas, é quebrado de forma a alcançar uma boa dose de movimento.
Entre uma guitarra que se contorce na dianteira melódica e outra que pulsa seu som levemente áspero, a canção é respaldada por uma bateria de cadência suave e amaciada, além de um teclado que experiencia a reprodução daquele tom doce e ácido em sua forma léxica proveniente do hammond. Com um baixo audível, mas não tanto quanto na obra anterior, a presente composição se felicita da consistência enquanto caminha por meio de uma movimentação ondulante. Explodindo em um refrão que transpira um viés de decepção e lamento, Dreams Come Untrue surpreende por ser a primeira composição do álbum a se aventurar por um viés mais melancólico.
Com um teclado limpo e doce sendo o elemento responsável por puxar a sua introdução, a faixa se destaca por ser agraciada por alguns pontos interessantes. Primeiro, a sobreposição das notas do teclado se mantém. Mas, em segundo – e principalmente – ela é respaldada pelos uivos aveludados de uma guitarra que agora, se apresenta sob o efeito regional e naturalmente interiorano do lap steel. Fluindo para versos de postura intimista e instrumental curiosamente minimalista, a composição passa a explorar uma ideia sensorial mais reservada e emotiva, mas sem drama ou pungência. Surpreendentemente, I Hope You’re Watching desemboca em um refrão de natureza não necessariamente suplicante, mas sim de um pedido sincero respaldado na aparente ânsia pelo amor.

A canção surpreende desde o seu início imediato. Puxada por singelos golpes nas superfícies dos tons de forma a extrair, deles, um som opaco, a canção ainda explora o tilintar da cúpula do prato de condução como elemento a proferir o compasso rítmico. Nesse ínterim, a guitarra surge aveludada, mas com uma postura que, curiosamente, desperta um ar de deboche. Agraciada por um teclado de notas lexicalmente amaciadas na base sonora, a faixa assume certa audácia por trazer, a partir da guitarra base, suspiros secos que muito trazem de influência aquele típico swingar do reggae. Aromática, aconchegante, mas igualmente atraente, Waiting For The Day mistura momentos de introspecção com sensualidade e torpor ao passo em que explora a identidade fofa e provocativa do blues como a sua base estrutural.
Diante de um álbum como Father Time & Mother Nature, o ouvinte é simplesmente presenteado com uma verdadeira imersão no universo da música sertaneja. Afinal, no decorrer de suas 11 composições, o material dispõe de produtos que caminham livremente pelo folk, pelo blues e outros que ainda se aventuram nos flertes em relação à temática do boogie woogie.
Cheio de maciez e aroma, o material oferece ritmos delicados, mas igualmente trotantes e pulsantes na métrica 4×4, além de um trabalho bastante interessante relacionado à sobreposição das notas do teclado, ampliando as camadas harmônicas e ocasionando na obtenção de novas texturas sensoriais. Esses detalhes são os responsáveis por amarrar o frescor, o torpor, a introspecção, o deboche e até mesmo a melancolia como experiências emocionais propostas durante a audição.
Não é de se espantar, portanto, que as seis primeiras faixas mereçam maior enaltecimento, mesmo que nem todas elas tragam o baixo com o devido prestígio. Ainda assim, Broken Mirror é aquela obra que, apesar de estar fora dessa listagem, merece atenção. Léxica em relação aos termos do minimalismo sonoro, da assumição de uma postura intimista e da exortação da melancolia, a faixa transpira dor, lamento e lágrimas, mostrando um lado mais profundo e emocional de DuBose. Com ela devidamente inserida à soma dos destaques, Father Time & Mother Nature se consagra como um disco que defende as raízes da música tradicional estadunidense.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/27xTsjcVRqhtPxJvUYWPFo
Instagram: https://www.instagram.com/claydubosemusic/
Tik Tok: https://www.tiktok.com/@claydubosemusic
YouTube: https://www.youtube.com/@ClayDuBose-p1c3n
Facebook: https://www.facebook.com/clay.dubose.3/
Facebook: https://www.facebook.com/clay.dubose.3/
Instagram: https://www.instagram.com/claydubosemusic/




