Clássico álbum de Block é relançado e se mostra atemporal!

A música tem ‘catacumbada’ a originalidade desde a década de 1950. Sim, desde aqueles tempos o que ouvimos de lá pra cá são reinvenções em um ciclo que não se acaba e jamais acabará. Mas, se pensas que tal fato é algo pejorativo, se engana, pois isso é um forte pretexto para a criatividade.

Imagina só, são apenas sete notas musicais e disso fizemos infindáveis melodias, desde quando a música surgiu e sem data precisa. Já estamos no lucro há muito tempo, mas exigir originalidade na fórmula em pleno 2025 é algo impiedoso, por isso quando temos um artista que sabe reaproveitar suas influências, é algo original.

Claro, meras cópias baratas não devem ganhar prestígio, pois estamos falando de um ciclo onde se reinventa, onde se absorve melhor das inspirações e influências, moldando sua própria fórmula. Temos em mãos um destes casos e está aqui, diante de nós, relançando seu clássico álbum, que acaba de sair do forno.

Porém, suas músicas frescas trazem elementos não tão recentes assim e ele mostra inspirações claras em artistas de vanguarda, de estilos distintos, mas que se conectaram/conectam desde os anos 1960 e 1970. Tudo de uma forma natural e com muito conhecimento de causa.

“Lead Me Not Into Penn Station” é o nome do álbum que estreia na era do streaming pela gravadora Meridian (ECR Music Group). Masterizado a partir das gravações originais pelo artista, produtor e presidente do ECR Music Group, Blake Morgan (Lenny Kravitz, Grace McLean, Lesley Gore), esta joia histórica que definiu o gênero lançou a carreira de Block, garantindo-lhe a assinatura de Glen Ballard (Alanis Morissette, Dave Stewart) para a então incipiente Java Records (Capitol), como o primeiro artista do selo.

O disco foi lançado originalmente em 1996, o que prova que Jamie Block (nome original do artista) estava muito à frente do seu tempo, inclusive na produção do trabalho, que traz uma qualidade acima da média e ficou ainda mais pomposa com a masterização atual que ganhou. E é incrível como as faixas soam atemporais, mesmo trazendo influências de outros tempos e vivendo a era de outro do rock alternativo nos anos 90.

Abrindo o caminho das 10 faixas, “Rhinoceros” chega como um folk elétrico de batida cativante e um Block que não esconde a inspiração de Bob Dylan e Rolling Stones, neste último caso quando a faixa recebe aquela dose de guitarras muito bem desenvolvidas.

Logo chega “Future’s Coming On Too Fast”, uma faixa que mantém o entrelace entre o elétrico e o acústico, com um violão e linhas vocais mais uma vez escancarando as influências de Dylan (mas não pense que Block se prende nisso). Com uma batida que entra depois na linha country, a faixa ganha contextos particulares bem interessantes!

A terceira faixa, “Hard”, pende para o alternativo, trazendo uma cozinha funcional, pois a introdução fica por conta dela, inclusive quando a música entra no refrão grooveado. Vocais quase em ‘spoken words’, na linha do rap, dão ainda mais tons alternativos à faixa.

“Reuben Says” chega mantendo uma veia alternativa, mas desta vez com elementos de psicodelismo que afirmam a versatilidade de Block. Guitarras limpas, levada cadenciada e sintetizadores incomuns dão à tônica da faixa. Até que chega “She Is…”, uma ‘power ballad’ que o traz de volta para o mundo real e com bases bem incrementadas de fácil assimilação. Uma faixa pronta pra tocar no rádio de ontem e de hoje.

Abrindo a segunda parte do disco, “To Alice From Thunderland” possui um dedilhado de violão incomum e surpreendente, onde Block insere elementos sombrios ao fundo, com leves toques eruditos e uma de suas interpretações vocais mais intimistas. A faixa é precedida por “Folk Song ‘96”, que apesar do nome, não é mergulhada no folk puro e simples, pois tem uma veia alternativa bem escancarada. A música dispensa elementos percussivos, ganhando firmeza e graves somente nas cordas.

Entrando na famosa trinca final, “Street Gig” é uma faixa que mais uma vez mergulha no rock alternativo, mas inspirações no classic rock. Porém, a música cai mesmo nas guitarras de riffs empolgantes e uma seção rítmica consistente, com um baixo que se destaca e bateria de levada cheia de ‘groove’. A música entrega a sensação de ser ao vivo.

“Mating Dance Blues”, depois de alguns minutos, traz ó folk tradicional de volta, mas sem que Block não insira sua identidade, pois os sintetizadores psicodélicos levemente inseridos ao fundo dá um clima totalmente diferenciado à faixa, soando simplesmente magistral.

Por fim, “Black” fecha o disco de uma forma a fugir do comum. Afinal de contas, a música não cai naquele tom sorumbático de faixa de despedida, mas sim resume a proposta de Block, que é caminhar por diversos estilos e manter um som equilibrado, o que se resume com êxito na composição. Agora precisamos saber como acaba essa vontade de apertar o repeat!

https://ecrmusicgroup.com/labels/meridian/block

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