A guitarra surge aveludada e compassada em uma surpreendente simetria em relação ao compasso rítmico já fornecido pela bateria. Expondo uma atmosfera sensual, expansiva e até mesmo dançante, a composição acaba tendo seu contexto sonoro engrandecido pela presença de instrumentos de sopro que a tornam vivaz e demasiadamente atraente.

O interessante, nesse ínterim, é perceber que a presença do batuque cuidadosamente opaco do bongô, compondo o enredo percussivo, acaba ofertando à obra uma identidade nativa bastante amaciada e sedutora. Eis então que a camada lírica é devidamente iniciada por meio da inserção de uma voz feminina adocicada, afinada e de silhuetas frágeis. Aromático, acima de tudo, o timbre de Sarah McGuinness dá à canção um sabor açucarado salivante.

Conforme flerta, ao mesmo tempo, com as paisagens sônicas do jazz, do R&B e do soul, a canção não se intimida e se permite explorar um comportamento de extrema sedução e hipnotismo. Contando com uma base harmônica pautada nas valsas frescas e esvoaçantes dos violinos, Don’t Let Our Love Go tem, em si, contornos de um romantismo atraente que entorpece o espectador e o coloca perante uma experiência sensorial de puro bem-estar. É assim que Sarah faz, da faixa, um hino à sua festa celebrativa ocorrida na Leicester Square.

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