BR33Z WORLD lança primeiro capítulo de trilogia que promete!

O hip-hop tem toda uma história, mas o que muita gente não sabe é que não se trata exatamente de um estilo musical. O hip-hop é um movimento cultural que abrange diversas linguagens artísticas e gêneros musicais, tendo como um de seus principais representantes o rap. Mas, não apenas isso.

O hip-hop nasceu nas comunidades marginalizadas de Nova Iorque, no bairro do Bronx, no início da década de 1970 e foi criado por jovens negros, latinos e jamaicanos como uma forma de expressão contra a pobreza, o racismo e a violência. Dentro das artes envolve dança, artes plásticas (como o grafite) e até mesmo as artes cênicas hoje fazem parte do movimento.

Musicalmente o rap é o carro-chefe do gênero e seus derivados se formaram com o tempo, mas também criando características bem próprias. Dentre eles estão o boom bap, gangsta rap, trap, drill e conscious hip-hop, além de muitos outros.

Assim como em qualquer outro gênero musical, o hip-hop evoluiu com o tempo, mas traz algumas características importantes que é a preservação de sua origem. Outro ponto fundamental é que o estilo se popularizou, talvez sendo gênero com especificações mais popular do mundo, além de se fundir com diversos outros.

Alguns artistas conseguem traduzir um pouco dessa história e temos em mãos um deles. Trata-se de BR33Z WORLD, que é um artista da Bay Area — nascido em São Francisco e criado em Oakland — que mistura hip-hop da Costa Oeste, rap melódico, a energia da vida noturna e uma narrativa cinematográfica.

Ele chega carregando um aspecto de vanguarda, do qual ele sabe exatamente adaptar aos tempos atuais, fundir com estilos contemporâneos, usando isso para moldar suas próprias características. E ele consegue seu objetivo, gerando um disco que o personifica ainda mais e ganha abrangência dentro do hip-hop, mas também rompendo as fronteiras e podendo agradar ao público em geral.

O disco é “Black Heart”, o primeiro capítulo de uma história dividida em três álbuns, sendo seguido por “Purple Heart” e “Kiss of Death”. O álbum entrega oito faixas e é enraizado em temas como sobrevivência, dor, ambição, lealdade e resiliência, mesclando uma narrativa cinematográfica com o hip-hop melódico da Costa Oeste e faixas de rua mais intensas.

O disco começa com “CAN´T RUN”, uma composição que resume tudo que o disco traz em pouco mais de três minutos. A faixa prima por trazer uma batida consistente, levemente quebrada e com um groove que vibra na medida. Destaque para os backings de fundo, que dá um tom de suspense à faixa.

“IT AIN’T EASY” chega mais agressiva e com elementos de house em seu beat, o que pode fazer com que alguns torçam o nariz. Mas, BR33Z WORLD o insere tão bem que consegue incrementar seu mexer no contexto rapper que a faixa emana.

“DEAD INSIDE” tem um contraste. Seu instrumental traz certa cadência, harmonias brandas, mas BR33Z WORLD mantém seus vocais agressivos, inclusive com imposições interessantes. O trabalho acaba ganhando um bom equilíbrio, que corrobora muito com a proposta inicial do disco.

Já “CAN’T CHANGE” chega pra representar a variação. A música une beats tradicionais com uma melodia cativante, enquanto BR33Z WORLD também alinha seus vocais à versatilidade, colocando ainda mais equilíbrio em uma composição que pode ou não ser considerada uma balada, o que diz muito sobre o talento e proeza do artista.

O teor moderno, incluindo aí como elementos do R&B contemporâneo, fica por conta da versão em rádio de “THE PLUG”. De batida dinâmica e backings com efeito, o que chama atenção na faixa é mais uma força de adaptação do artista, que consegue inserir seu vocal em uma faixa de contexto diferenciado.

“NEVER BITE THE HAND THAT FEEDS” vem pra representar a modernidade do trap, mas com um adendo. BR33Z WORLD, além de muito objetivo, entrega uma faceta mais sofisticada, que deixa tudo diferenciado e com requintas, além de uma sensibilidade na medida e com uma roupagem idem.

“DIFFERENT VIEW” é uma faixa onde mesclas podem ser percebidas. Estamos diante de um rap atual, mas com notadas imposições ao trap, porém que servem como complemento. Os detalhes do piano muito bem inserido, remetendo muito ao rap brasileiro, além de um fundo cheio de suspense e vibração bem-posta, são os principais destaques.

Por fim, o disco fecha “CRY BABY”, uma faixa intensa e que traz um resume do disco por uma angulagem diferente, fazendo oposição à faixa de abertura. Aqui no caso, a música é intensa, pulsante e com o trabalho vocal mais típico de BR33Z WORLD.

Concluímos que, em “Black Heart”, BR33Z WORLD transita entre músicas introspectivas e momentos de maior intensidade e energia. Mas, sempre mantendo uma identidade e, o melhor de tudo, trazendo o rap em praticamente todas as suas facetas. Sempre mantendo um aspecto atemporal, o que deixa tudo mais expansivo. Confira sem medo.

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