O transcendental e o espirituoso se apresentam com toda a força durante a introdução. Afinal, diante de uma estrutura ausente de instrumentação, a canção coloca o ouvinte em contato com uma sobreposição vocal que se consagra pela sua harmonia de caráter refinado e etéreo. O curioso, nesse aspecto, é perceber que, enquanto na base existe um tom grave e gutural, a camada mais exposta traz vozes mais afinadas, claras e de conotação aveludada que sugerem um senso de conforto atraente.
Quase como se fosse uma canção à capella de silhuetas angelicais em razão de sua paisagem introdutória, a obra vai permitindo que o ouvinte identifique sinais de transformação ao passo que sinais rítmicos sincopados vão ganhando proeminência de forma gradativa. Desembocando, a partir daí, em uma esfera de profundo frescor e intensa leveza, a faixa se vê agraciada por uma guitarra solo distorcida, mas branda, uma base de pronúncia suspirante e batuques opacos que sugerem a presença do bongô.

Felicitada pela aquisição de uma silhueta sensual e alegre, a canção é espaldada, ainda, por um teclado de notas doces e pulsantes que tampa os buracos restantes na base sonora com uma performance que fornece ligeiros vislumbres de boogie woogie apenas em razão da natureza de seus pulsos sequenciais. Fechando a conta, o timbre doce, refrescante e afinado de Terry Breakman torna a composição um produto completamente envolvente. Tudo isso coopera para que Boom Boom espalhe, com sorrisos, a sua mensagem glorificante das tradições, da liberdade e do senso de união que promove o encontro das pessoas em todos os feriados de quatro de julho.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/3IR0nqjnhIJYQD82TMO2N6
Site Oficial: https://terrybreakman.com




