Autor, compositor, guitarrista, baixista e cantor, BOLIDDE é imposto como uma figura incontornável ‘du paysage rock français’. Depois da surtida do primeiro álbum solo em 2022, que chegou autointitulado e o apresentou ao cenário, ele entrega sua segunda oferta que pretende consolidar seu som no cenário e pavimentar ainda mais o terreno pedregoso do rock.
Ele tem tudo para consolidar com seu objetivo, afinal de contas prima por trazer um trabalho primoroso e versátil onde o pop e o rock se unem sem fechar o leque, dando espaço para elementos de outros estilos e subgêneros, mas principalmente fugindo do lugar comum.
A capacidade de BOLIDDE em atrair tanto fãs de rock quanto os de pop é uma das grandes façanhas do disco e isso tem uma naturalidade. Ele apresenta um trabalho que prima pelo equilíbrio, inclusive trazendo muito do que foi desenvolvido no britpop, mas sem deixar as influências do rock alternativo da América do Norte de lado.
A versatilidade chega com passos leves, onde ainda podemos encontrar elementos do punk, blues, reggae, ska e derivados sem que o artista deixe de lado sua identidade, muito menos perdendo o foco que é a linha tênue entre o pop e o rock.
“Rainbow Galaxy” abre com uma faixa cativante e enérgica, que já mostra a produção e os timbres muito bem escolhidos, que são alguns dos grandes trunfos do disco. Com um riff de guitarra inicial cativante, a faixa ainda traz um baixo que preenche as lacunas e uma levada que contagia, sendo um perfeito cartão-de-visitas.
Já na segunda faixa, “Lea”, o sentimento vem à flor-da-pele. Não se trata de uma composição melosa, muito menos dramática, mas sim bela. BOLIDDE consegue impor emoção, sem perder a dinâmica ou diminuir o ritmo, dosando bem a melodia e dando leves toques introspectivos. O refrão é maravilhoso.
A faixa título chega como a terceira com um clima vintage e ao mesmo tempo futurista, o que já demonstra os fatores incríveis deste disco. Com um verso inspirado pelo kraut rock, a música ganha um refrão com ritmo da disco, sem exagerar nos usos de sintetizadores e mostrando um trabalho preciso da cozinha.
“Hell In Paradise” chega num ritmo inspirado pelo reggae, principalmente em seu verso, onde a melodia se intensifica no refrão e ele apresenta um solo de guitarra simples, porém marcante. Destaque também para o trabalho vocal, que traz aquele mote típico do mencionado reggae de ‘backings’ nos versos.
Chegando à metade do disco, com “Mr Chain”, notamos de vez que a voz de BOLIDDE é muito influenciada por David Bowie, o que não é nada mal. Sendo um rock mais clássico, a música tem leves toques de country que unem a riffs ‘stoneanos’ precisos.
“Try My Love” vem com um ritmo marchante, guitarras levemente mais robustas, carregando influências nítidas do indie, mas surpreendendo por entregar um fundo com uma pincelada de latinidade. Ou seja, mais uma surpresa imposta pela versatilidade desse compositor criativo e abrangente.
Tanto que em “Golden Age” a influência do country aparece, mantendo a pegada do rock clássico, como o Dire Straits sabia fazer muito bem. O mais legal é que o músico francês, quando não insere novas influências nos versos e mantém a identidade no refrão, ele faz o contrário, como podemos conferir nesta música espetacular, que aliás tem um dos melhores refrãos.
Começando a trinca final, “Questioning” é uma música de ritmo mais vintage. A faixa prima por mesclar uma levada onde BOLIDDE insere elementos do country, folk, jazz e americana, deixando o contorno europeu que é maioria em sua música um pouco de lado. Mas, mais uma vez o refrão soa muito característico e o solo distorcido da guitarra é a cereja do bolo!
“Odd Noises” traz o indie de volta e os mais atentos irão notar a veia blues que a música possui. De ritmo que parece simples, mas é intenso e necessita precisão, a música traz uma veia otimista e um trabalho da cozinha se entrelaçando com a guitarra que chama muita atenção.
Por “Run Away”, começa como uma tradicional música de fechar disco, abrandada, com certo ar de melancolia, mas logo passa. A música do nada vira um punk de vanguarda, com muita energia e uma pegada pop que dá a sensação não de um adeus, mas sim de um até mais!
Até porque, vai ser um tanto que impossível não querer ouvir “Rainbow Galaxy” novamente, mais e mais. Além de um bom disco de rock, é um trabalho que tem uma energia revitalizante e que soa muito honesto.
O disco traz uma capa que vai chamar atenção dos mais velhos, lembrando um arriscado brinquedo de parque de diversões em um futuro distópico, o que reflete bem a atemporalidade do trabalho, inclusive com cores cintilantes, mas mais discretas. Vale mais do que a pena ouvir os pouco mais de 36 minutos.
https://soundcloud.com/david-goliate-182435686
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