Blackout Transmission: confira o arrepiante segundo álbum “Twilight & Resonance”

O primeiro álbum do Blackout Transmission foi o “Sparse Illumination” de 2021. Desde então, a banda da localidade do Novo México ficou um tempo sem gravar, mas reapareceu empunhando mais este álbum “Twilight & Resonance”. Em seu estilo pós-punk shoegaze, a sonoridade se destaca pela acidez e complexidade. O lançamento da Etxe Records permitiu ao artefato vir munido com oito canções como a atmosférica “La Tierra Drift”. Aqui, uma verdadeira viagem através do sensualismo musical penetrará a tua audição, causando mais e mais tesão por sua magia. Este primeiro momento do disco funciona como um tapete vermelho para a entrada do grande astro.

Durante o pequeno hiato, a banda fez a sua modificação geográfica saindo de Los Angeles, cidade urbana com grande volume de comércio, noitadas e moradores para se concentrar mais nas montanhas a oeste, onde se estende uma infinita faixa desértica. Você pode conferir essa paisagem observando a capa do álbum, que faz ótima representação. Enquanto isso, pode seguir curtindo a música seguinte que se chama “Ultra Azul”, uma combinação de elementos que gera uma melodia suave e esfumaçada. Com cadenciamento leve, a cozinha é obediente em seguir o ritmo ditado pelo riff de guitarra que usa um timbre limpo e metalizado.

Essa nova fase do Blackout Transmission ascendeu uma evolução na maneira de criar da banda. Embora isso seja evidente, a essência que identifica o seu som sempre está permeante no clima das músicas. Um perfeito som de garagem inspirado no movimento pós-punk que se iniciou no final dos anos 70 e atravessou os anos 80. É com essa cara de nostalgia que músicas como “Ascension (Sangre Skies)” saltam aos nossos ouvidos. Uma canção que lembra bem os becos povoados por uma juventude livre de amarras sociais, onde a música e as diversas expressões corporais se comunicavam em clubes cheios de fumaça e bebida barata.

Para os amantes do vinil, uma boa notícia, “Twilight & Resonance” saiu nesse formato com os trabalhos de Jeff Holmes no layout. Já a arte original foi desenvolvida por Jonathan Keeton. A “bolacha” possui cor roxa escura para combinar com as cores da capa, cores da terra, cores da natureza. Algumas músicas no repertório apontam a algo mais virtuoso que acaba beirando o psicodelismo, como a instrumental “Calantha Dawn”. Um presente embalado pela dupla Christopher Goett e Nathaniel Donaldson, que são os cabeças do projeto. Uma verdadeira viagem transcendental e intimista pelas ideias desses músicos e compositores.

O disco, praticamente, reflete a ideia da mudança de campo filosófico do Blackout Transmission em mudar o direcionamento racional. Ou seja, o Blackout Transmission que iniciou seus temas em Los Angeles não é o mesmo que agora concentra os seus fundamentos na deserta faixa montanhosa do Oeste. Músicas como “When The Aspens Turn” ajudam a nos transportar a este novo direcionamento. O toque suave dos riffs, a pegada introspectiva da cozinha e os vocais cada vez mais solúveis, formam um tipo de identidade que, aos poucos, definirão o estandarte desse projeto e suas metamorfoses estruturais.

Um fato interessante neste álbum é que, embora algumas músicas ultrapassam o tempo de cinco minutos, o repertório não se torna sacal. As variações causam surpresas nas audições e, mesmo canções como “Las Estrellas En Alta”, estejam entre as de maior duração, o seu encanto é sentido em todos os níveis de satisfação. O som é formado por texturas que deixam a experiência de ouvir mais atrativa. Tudo aqui é versátil, tudo aqui é inovador, sem imediatismo, tudo ao seu tempo expressando fortemente a qualidade musical e lírica. Desde o início da música, com uma breve emulação de gaita de fole até seu último acorde, uma tapeçaria melódica nos envolve.

“Twilight & Resonance” é um álbum que possui pouco mais de meia hora de duração, e se você se entregar às camadas sonoras desse disco, irá longe no pensamento e na meditação. O público do pós-punk climático, shoegaze psicodélico ou folk psicodélico não tem como se esconder disso. Embora seja um público nichado, pois suas músicas não escalam como canções pasteurizadas de prateleira, facilmente encontramos aqui um catálogo de vários hinos. Hinos como “Beyond The Sight Lines (Nubes Oscuras)” que parece uma viagem de ultraleve sobre a paisagem das montanhas.

Para finalizar essa jornada, a música “Kairos” encerra a play list do álbum como uma das canções mais profundas da lista. Textura leve, melodia intimista e um conjunto de harmonia acalentador são o que essa música traz. Na verdade, é só mais um pouco da essência que começamos a sentir desde a primeira faixa, a diferença é que aqui algumas distorções de guitarra dão a tônica, mas o conceito, embelezamento e produto final seguem um padrão intocável. Com esta obra o Blackout Transmission consegue reunir toda delicadeza, sensibilidade e musicalidade de um estilo melancólico que, por outro lado, se torna libertador.

Ouça “Twilight & Resonance” pelo Spotify:

Saiba mais em:

https://www.etxerecords.com/blackout-transmission
https://soundcloud.com/blackouttransmission
https://blackouttransmission.bandcamp.com
https://youtube.com/playlist?list=PLRx4tFtO0fEkUONQQR7o1Bh8sX_I-824L
https://www.instagram.com/blackout_transmission

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