O inglês de Hemel Hempstead, Benny Bianco, tem uma paixão forte pelo blues de raíz. Suas composições são 100% formadas pelo clima nostálgico de grandes nomes do estilo. De posse apenas de um violão e às vezes de uma harmônica, o cantor britânico tece suas melodias com um vocal melancólico que, entre uma música e outra, é acompanhado por corais igualmente sentimentais. Seu álbum “Loving Blues” estreia nas plataformas de streaming trazendo toda essa magia com oito canções saborosas influenciadas por monstros do quilate de Big Bill Broonzy, Leroy Carr e Muddy Waters. Sabendo disso, você já sabe que o espera nesta audição.

Quem faz a distribuição de “Loving Blues” virtualmente é a Atomic Productions, selo que hospedou este ‘debut’ em todas as plataformas de streaming. A primeira música do repertório se chama “Before I Met You”, que é embalada por toques suaves da guitarra limpa, livre e sem nenhuma distorção. Além desse fato, o piano de fundo dá a tônica perfeita para a base que sustenta os solos suaves e a voz marcante do artista. Nesta primeira música – se você for fã de blues – o espírito ‘bluesy’ já recai com tudo sobre a sua alma, te preparando para mais impacto.
O blues não é apenas a única atividade virtuosa que Bianco pratica, pois o músico também faz trabalhos beneficentes com a Calibre Audio, empresa que grava livros de áudio e que fornece material aos deficientes visuais. Este álbum, aliás, foi registrado lá e traz músicas como “Cosy Corner Blues” composta pelo talentoso multi-instrumentista. O nome dessa música também pode significar um estilo que nomes como Walter Davis e Booker T. Washington colaboraram para existir. Aqui, a virtuosa harmônica aparece ao lado do piano e da voz marcante do cantor que, ao lado de Kieran Potter, produziu o próprio disco.
Na sequência, as batidas nas cordas do violão anunciam o início de “Waiting for Glory”, uma canção cujos backing vocals acompanham a voz principal como nas gravações antigas. Por causa dessas características, essa música nos faz lembrar de trilhas de radionovelas dos anos 50, uma verdadeira ode aos tempos áureos do blues. Talvez esta canção seja a mais orgânica de todo o álbum, pois sua sonoridade abafada em voz e violão nos mostra que a simplicidade – embora estejamos em tempos modernos – é algo ainda encantador. Bianco é um artista que não perde o rumo, mas, com certeza, para nos dias de hoje se apresentar como cantor de algo tão virtuoso, é um cara fora da curva.
Já falei aqui que Benny Bianco, além de compositor sério e maduro, é um multi-instrumentista. O que não falei ainda é que neste álbum ele simplesmente toca piano, guitarra (ou violão), harmônica e baixo. O disco, claro, não possui bateria, mas não duvido nada este “monstro” também tirar isso de letra. Sobre as músicas que trazem piano como “Spare Tyre Daddy”, por exemplo, estas foram gravadas no Jasper’s Lodge. É também em “Spare Tyre Daddy” que existe uma maior perfeição nos solos de guitarra.
Se a música anterior traz o melhor solo de guitarra, “Please Don’t Forsake Me” traz a melhor performance de violão com uma base simplesmente aconchegante. A atmosfera vintage que esta música exala ajuda o ouvinte a viajar com mais intensidade e pousar no núcleo da melodia. Transportado também pela voz despretensiosa de Bianco, você consegue amar cada nota desta canção. Sobre a técnica e coesão lírica, “Please Don’t Forsake Me” é um presente para os ouvidos mais refinados, assim como são todos os temas desse álbum. Dessa maneira, conclui-se que “Loving Blues” não traz apenas um repertório de blues, mas uma verdadeira curadoria para o bom gosto musical.
O solinho gostoso da guitarra de Bianco retorna em “High Steppin’ Mama” com uma melodia solitária que corre por cima do piano. Este, por sua vez, dita o ritmo despojado que as letras da canção discorrem por cima. Esta não é uma música extensa, seu tempo corre conforme o tempo de uma versão para rádio, mas o conjunto de sua melodia é tão agradável que a impressão que dá é que ela acaba rápido. Como o velho ditado diz: “o que é bom dura pouco”, e é exatamente isso que acontece na sexta execução do álbum.
Já o sonar gostoso da harmônica retorna em “Farming Blues”, uma deliciosa canção para se cantar embaixo de uma árvore com seus amigos ao redor. Não esqueçamos da base de violão que ajuda na condução da melodia. O álbum de canções atuais à moda antiga se encerra com a grande performance de Bianco e seu violão com “Shannia”, um espelho final de seu talento e amor pela música. Resumindo, “Loving Blues” veio para resgatar o velho e imortal espírito do blues que o tempo se encarregou de maquiá-lo. Ouça este álbum e boa viagem de volta no tempo.
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