Há muito tempo atrás, principalmente dentro do cenário do heavy metal, era meio que raro encontrar uma ou mais ‘one-man-bands’. Primeiro que o formato de banda sempre foi muito tradicional dentro do estilo, segundo que os recursos tecnológicos não permitiam gravar sons de onde pudesse estar, como é hoje em dia. Por fim porque também o espírito coletivo era maior.

 Porém, as coisas mudam, o tempo passa e o mundo gira, principalmente quando se trata de tecnologia, do qual nos últimos dez anos demos um salto impressionante. Isso impactou não só a indústria musical e a forma de consumir música, como a produção dos trabalhos em geral.

Dando um salto no tempo e deixando as filosofias de lado, atualmente vê-se muitas bandas com um só membro e, mais incrível ainda, de diversos estilos. Isso porque outrora nos acostumamos a trabalhos onde se via muitos artistas trabalhando em sons mais intimistas, introspectivos, mais sombrios… Hoje a coisa é mais versátil.

Temos aqui um grande exemplo de diversas coisas ditas nos parágrafos acima, afinal de contas, o músico norte-americano Mike Masser viveu seus tempos de banda, acumulou experiência e desde 2019 entrega-se ao seu trabalho solo que se resume numa amálgama de influências dentro do metal moderno.

Mike passou o início dos anos 2000 em uma banda de rock que conseguiu conquistar um sucesso local. Depois disso, ele passou a tocar em várias bandas covers porque, como guitarrista, não conseguia ficar longe dos palcos. Depois de algum tempo, ele se esgotou e passou uma década concentrando sua atenção em tudo, menos na música. Ele não conseguiu ficar longe para sempre e decidiu retomar não apenas a guitarra, mas também a voz.

Hoje, ele chega ao seu quinto disco de estúdio, que lança agora e o nome chega com o singelo “5”. Além de um dos trabalhos mais versáteis de Masser, o disco prima por trazer o artista antenado, pois há quatro anos ele se manteve em silêncio, criando um hiato que deixou os fãs meio que apreensivos. Porém, ele continua intacto em sua proposta, apenas agregando alguns elementos que só melhoram sua sonoridade.

Com dez faixas em quase 40 minutos de música, “5” prima por trazer uma produção equilibrada na medida. Os timbres muito bem escolhidos aumentam a qualidade das composições, que somam 7 autorais a três covers que denunciam a versatilidade de Masser, um artista que nunca fecha o seu leque, mas também não ultrapassa limites.

A faixa de abertura, “Wolves In The Whiskey” é aquele heavy metal tradicional versátil, onde o artista traz uma cadência na levada e variação de guitarras, com bases limpas ora sobrepostas a distorcidas e um trabalho lento, mas sem soar como uma balada. A voz de Mike se revela lembrar Matt Barlow (Iced Earth) e Paul Stanley (Kiss), ou seja, aquele melódico que quase se transforma em drive.

“No Sin” prova que velocidade não é a preocupação de Mike, que traz uma música marcante, com ares épicos, mantendo a essência do metal tradicional. Enquanto isso, “Silence Speaks” chega com um refrão bem capacitado para se tornar um hit.

Eis que surge o primeiro cover, e ele fica por conta de “Abacab”, do Gênesis. Faixa que é título do álbum lançado em 1981, a música ganhou a essência de Mike Masser, mas com a sua aura preservada. Destaque para os sintetizadores que mostram que a versatilidade do artista se encaixa a praticamente tudo.

“Run”, apesar do nome, é uma balada acústica que serve como um respiro no disco e mostra mais uma vez que Mike é um vocalista e tanto, mesmo descobrindo isso tão tarde. Logo, iniciando a segunda metade, “Redline” traz uma clara influência de Motörhead, se revelando uma das faixas mais agressivas do disco.

Claro, se um disco tem todos os quesitos do heavy metal, não seria aqui que não apareceria uma faixa sombria. Eis que “Omen”, misteriosa e densa, representa essa parte. Pra fazer um bom contraste, “Twilight Zone”, cover dos holandeses do Golden Earring, chega como um hard rock magistral, incrivelmente não perdendo a linha e saindo do contexto da identidade de Masser.

Lançada originalmente no magistral “Jar of Flies” (1994), a música “Don’t Follow”, do Alice In Chains, ganha uma versão de Mike Masser memorável e de respeito, do qual ele pôde confirmar que suas influências vão do progressivo mais complexo, passando pelo hard rock e o grunge, que fazem grandes contrapontos.

Por fim, o disco se encerra com uma das músicas mais bonitas de Mike, “Morning After You”. Por mais clichê que pareça inserir um violão nos versos e acrescentar guitarras no refrão, a abordagem e melodia imposta pelo músico ficaram espetaculares, ganhando uma beleza extra. Pena que é praticamente um encerramento brusco, mas que culmina numa deixa para um próximo álbum, que é exatamente o que queremos! Já esperamos o vindouro!

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