Will Sims apresentou tanta qualidade em seus lançamentos prévios deste seu sétimo disco de estúdio, que colocou todo mundo que os ouviu em uma expectativa e tanto. De carreira muito bem prolífica, o músico de Baltimore, nos Estados Unidos, prima por repaginar o rock e diversas de suas facetas, sem nunca fechar o leque.
Neste ano ele lançou alguns singles que estão no disco e deixou essa impressão, a de apostar no rock alternativo, pop rock, rock e progressivo sem reinventar a roda, simplesmente acrescentando ao estilo e colocando sua personalidade em composições que figurariam em discos de artistas renomados.
O disco está sendo projetado há um bom tempo, mas finalmente chega sob o nome de “Do You Feel Alive?”, e só por contar com a presença de alguns singles prévios no repertório já demonstra que vai ser acima da média. Bingo, sem delongas, estamos diante de um trabalho que atinge o ouvinte e traz exatamente o que prevíamos, talvez até mais.
O trabalho apresenta uma parceria entre Will Sims e o produtor Tony Correlli, com contribuições notáveis de músicos talentosos como Jeff Gardner e Cody Cook na bateria, e Joe Ruggiero na guitarra na faixa “Decisions, Decisions”. As participações vocais de Lindsay Collette e Abbey Danna acrescentam ainda mais tempero e versatilidade.
Tudo com uma sonoridade orgânica, que prova que a parceria deu certo, conseguindo captar o som certo e escolher timbres na medida, que casam perfeitamente com a sonoridade, que é diversificada e também mescla elementos orgânicos com sintetizados.
No álbum, Will transita por estilos diversos, sem nunca se perder entre eles, moldando sua identidade que transparece no rock alternativo. Mas, como ele mantém suas fronteiras abertas, o disco traz ainda elementos do post-punk, industrial, grunge, pop rock e pitadas de EDM, soul, blues, entre outras facetas ainda mais discretas.
O resultado são sete faixas objetivas, que Will conseguiu distribuir em pouco menos de meia hora. Logo, não se recrimine se você ficar com um gosto de quero mais, afinal de contas, essa sensação só acontece quando estamos diante de algo bom e “Do You Feel Alive?” definitivamente o é.
Com um riff de guitarra totalmente ‘rocker’, “Full Speed Ahead” abre o disco de forma magistral. Dinâmica, ela soa agressiva no verso e ganha tons mais melódicos e dramáticos no refrão, conseguindo resumir um pouco do que a sonoridade de Sims representa.
Logo em seguida vem um dos melhores singles prévios que Will Lançou. “Better Of Alone”, um pop rock sisudo, de baixo protagonista e um fundo eletrônico que deixaria Lenny Kravitz orgulhoso. Eu desafio a alma mais cética a ouvir essa música e não sair cantando seu refrão. Um hit imediato.
Lindsay aparece em “Ambers Eyes”, um rock recheado de EDM, mas que ganha leves toques de blues e pop, como fez o ZZ Top em um momento de sua carreira. A adição de Lindsay dividindo os vocais com Will ficou soberba, pois deixou a faixa sensual, além de moderna e com um contorno pop poderoso.
“The World Outside” chega como uma das mais versáteis. Tem um começo brando, com influência de country, ganhando um piano belíssimo, que vai abrindo caminho para a guitarra magistral de Sims, até explodir em camadas emocionantes de distorção e vibração da cozinha, num dos refrãos mais lindos do trabalho.
O country ainda deixa resquícios na introdução da seguinte, “Decisions, Decisions”, que logo ganha um contexto indie e ska, trazendo um dos ritmos mais descontraídos do trabalho. O contraponto fica por conta dos vocais de Will no verso, que soa intimista, mais grave e com um bom tom de introspecção, ganhando a normalidade somente no refrão.
Com uma atmosfera de fundo sombria, “The Mourning Moon” chega poderosa, mostrando ainda mais destreza do artista. Com um teor orgânico sintetizado, a faixa é uma mescla do alternativo com o pop rock, tendo uma batida aveludada e um baixo que vibra na medida. Levemente introspectiva, a faixa chama atenção pela sua limpidez.
Por fim, chegamos à passagem final, que fica por conta de “There’ll Be Another Time”, uma faixa sombria, que traz elementos do rock industrial e moderno numa perspectiva bem equilibrada, remetendo ao Linkin Park em alguns momentos. Afinal de contas, além das guitarras modernas distorcidas, tem uma batida incrementada por scratches ao fundo. A faixa conta com participação de Abbey Danna, que faz backings fundamentais, dando ainda mais beleza à obscuridade da faixa.
Com inspiração de ícones da música como David Bowie e Trent Reznor, Will Sims consegue ser ainda mais abrangente que seus ídolos, e “Do You Feel Alive?” consegue apresentar versatilidade e homogeneidade em um só pacote. O grande trunfo do disco é o fato de Will conseguir explorar muitas coisas em um espaço curto de tempo, que mostra sua habilidade e ainda entrega a honestidade com que o trabalho foi feito!
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