Com residência dividida entre Nova Iorque e Pequim, a cantora, DJ, compositora e produtora Adai Song lançou o primeiro álbum em 219 e, a partir disso, abriu caminho para o pioneirismo. Esta gênese se resume em sua arte de misturar música chinesa com elementos do pop ocidental, nascendo assim o C-pop. Se segundo disco, “The Bloom Project”, acabou de sair e explana mais essa técnica. O álbum apresenta oito músicas, onde a primeira se chama “A Lost Singer” que traz a participação de Yili Cow. O estilo dance da canção inspira modernidade e exalta bem o baixo cheio de melodia.

Existe uma peculiaridade na música de Adai, que é a forma como o sintetizador emana a melodia. Em “Night Shanghai”, por exemplo, você percebe o bailado que as melodias sintetizadas promovem. Por outro lado, os típicos elementos da cultura musical chinesa também compartilham espaço na mesma dimensão. Sempre acompanhada pelas majestosas pontes graves do baixo, a canção serve como inspiração para vários artistas emergentes se referenciarem. Além desse fato, é importante dizer que os convidados de Adai participaram em diversos setores, como Yuanming Zhang que comandou com a própria musicista a produção do álbum. Aqui, boas parcerias é que não faltam.

A próxima execução, “Make Way”, a nossa profissional multifacetada pegou elementos do r&b e do rap e conseguiu bom resultado. Com batidas divertidas, vocais radiofônicos e em outros períodos, normais, a canção surge como se emergisse de um lado e descobrisse a superfície. O groove da sessão rapper é bem acentuado, mas a parte melódica é encantadora. Então, para você decidir em qual das sistemáticas Adai sai melhor, já pode conferir a música sem restrições. Na composição, no entanto, a nossa musa oriental teve uma “ajudinha” de Cun Wu e Gexin Chen, mas na produção quem esteve ao seu lado foi Electron.

A coisa fica bem mais versátil, acelerada e foge um pouco daquele r&b americano com mantra chinês em “I, I Want”. O som começa com a introspecção habitual que todas as outras músicas trazem. No entanto, esta canção possui algumas rimas mais rápidas e um refrão melódico. Para esta execução, Adai chamou o rapper Lionzed para dar aquele contraste, mas também se saiu muito bem na sessão ritmada. Lionzed, por sua vez, emprestou também o seu talento de compositor, pois saiu creditado ao lado do nome da DJ chinesa. Na produção, Adai também trouxe ao time .Shi.

Para quem não sabe e acha que essas músicas ficarão para ornamentar o universo cult, este álbum está indicado ao Grammy na categoria “Best Global Music Album”. Isso reforça o reconhecimento dos americanos pelo trabalho da artista oriental. Músicas como “Carmen 2025”, escrita por Georges Bizet e Junqing Li até trazem uma vibe diferente com um ritmo mais dançante. Trechos groveados como batidas de sintetizador com elementos orientais caíram muito bem aqui. Esta canção, por conseguinte, pode fazer todos dançarem à melodia doce que ela exala desde os vocais introspectivos do começo, acompanhados de um baixo grave, até a seção mais pop.

Lançar álbuns de EDM e promover espetáculos em eventos da vertente, é apenas a ponta do iceberg para Adai Song, pois a artista que criou uma nova visão para o pop techno, também é membro da Recording Academy. Além desse fato, a nossa querida produtora ainda é financiada pela New York Foundation for the Arts (NYFA). Ou seja, a moça tem propriedade e autoridade que muitos gostariam de ter, mas não se esforçam. Criatividade também tem de sobra, correto? Se fosse diferente, músicas como a “Wuxi Tune” não seriam tão complexas, mas com uma carga de confluência sonora.

Sobre alguns números, o que Adai conseguiu na ainda curta hospedagem das plataformas digitais, foi nada menos do que mais de setenta milhões de streamings. Isso prova que existe um nicho inteiro que a coloca como uma das grandes artistas do universo EDM. Isso é facilmente compreendido, pois a sua capacidade de criação é algo que não se mede. Enquanto o início de músicas como “Wild Thorny Molihua”, nos remete a filmes antigos da China, o seu desenrolar nos leva a um caminho mais pop e eletrônico causando convergência entre os dois cenários. Isso tudo graças ao poder que a moça tem de gerar nuances.

Para finalizar, o parceiro Electron retorna dividindo mais uma vez os botões da mesa de produção com Adai. A música dessa vez é “River Run”, com um pouco de influência de eurodance, jazz fusion e, claro, o charme da galera que fala mandarim. Além de tudo que falei obre a artista no início deste texto, Adai aprendeu a tocar violão e piano de forma autodidata e, aos 12 anos de idade, compôs a sua primeira música. Dessa maneira, o caminho que ela tomaria já estava traçado e, por ele, nunca se perdeu. Eis aqui um fenômeno da ‘world music’.

Ouça “The Bloom Project” pelo Spotify:

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