Ela não pode ser definida apenas e tão somente como uma obra introspectiva. Afinal, a partir da adoção de sonoridades agudas e tilintantes interagindo com uma voz feminina igualmente aguda e com traços de dulçor percebidos em meio às inflexões solfejantes, ela exibe um contorno entorpecente que chega a beirar até mesmo o transcendental. Frágil e capaz de promover um senso flutuante ao ouvinte, é como se a composição exibe um viés contemplativo exuberante destacado especialmente pela cadência e pela forma como a cantora vive cada palavra que preenche o enredo lírico. Fresca e agradavelmente valsante, Chapter 1 – The Infinite Is Present é uma obra que dialoga e escancara a presença de um ser supremo e onipresente em meio a todas as coisas e todos os momentos.
Aqui a delicadeza chega a ser excesssivamente associada ao frágil no seu sentido maisd léxico graças à natureza dedilhante com que a sonoridade começa a nascer em meio ao processo introdutório. Doce, singelo e sereno, esse som, fornecendo a ideia de ser proveniente da harpa em razão do seu caráter especialmente etéreo, traz consigo um viés não necessariamente lúdico, mas denotativamente puro e tocante. Apoiada em uma narrativa que beira o sussurro, Chapter 2 – The Soul Is Eternal não apenas destaca a sua simplicidade, mas sim a sua identidade mântrica marcante respaldada por valsas de um sintetizador que emula o som dos violinos reforçando o viés cheio de singeleza do disco. Para completar, o viés etéreo se faz presente de maneira intensa no enredo lírico, que destaca o caráter eterno da alma.
O piano surge em cena desfilando uma conjuntura d notas agudas e adocicadas que gera a ideia de fragilidade a ponto de despertar as emoções mais sinceras e tocantes no ouvinte. Minimalista, mas naturalmente envolvente, a faixa chama a atenção por trazer consigo uma identidade romântica com traços renascentistas bastante interessantes. Chamando a atenção por misturar requintes de ensinamento e compaixão com traços de uma fé inabalável, Chapter 3 – The Eternal Universe Beneath the Stars of God destaca a presença de Deus entre todas as coisas, mas especialmente reacender a ideia de que ninguém está sozinho e sendo observado com frequência pelo próprio universo.
Enquanto o dulçor, a delicadeza e a valsa se fundem perante o espectro intordutório da presente composição, o que acontece a partir da interação do piano com um violino aveludadamente valsante, a composição consegue oferecer não uma ideia de ressurreição, mas de esperança e positividade a partir de uma sonoridade de identidade branda e esperançosa. Se destacando por não ter um enredo lírico que se inicia por meio de versos solfejantes, como aconteceu nas faixas anteriores, a presente composição mantém o intimismo como seu guia estético-estrutural máximo e se beneficia de um movimento crescente curiosamente manso. Com o seu aroma floral gracioso, Chapter 4 – The Future Unfolds Through Presence destaca a necessidade da superação do passado para conseguir adquirir uma vida regida pela liberdade e pela certeza de que o futuro e o presente estão intimamente interligados pela coerência e pela vivência.
Quase como uma cantiga de ninar, a composição tem um despertar singelo. Abraçada por um sabor adocicado e uma postura gentilmente frágil a partir do som espaçamente dedilhante extraído do piano, a composição tem, na interpretação lírica assumida pela cantora, o tom que incute ternura, vulnerabilidade e até mesmo requintes de compaixão ao contexto sonoro. Agora, o que de fato chama a atenção é que, conforme a obra avança em meio à sua própria desenvoltura, ela acaba adquirindo uma feição bastante disneyresca, o que lhe garante, invariavelmente, um caráter lúdico no que se refere ao seu aspecto harmônico. Dançante e fornecendo um escopo levemente motivacional, Chapter 5 – Values Are Sacred, tal como o próprio nome sugere, apresenta a exaltação dois valores morais que regem a vida e o convívivio entre os indivíduos, tais como verdade, amor, humanidade, compaixão e integridade.
Serena, singela e vulnerável, a faixa repete a mesma fórmula já bastante explorada no decorrer das obras anteriores, especialmente a introdução pautada em versos líricos solfejantes. Exaltando uma vez mais o intimismo e a fragilidade como a sua identidade estético-estrutural, a faixa já traz, a partir da sua introdução imediata, um viés não apenas motivacional, como também educacional em relação a uma vida de respeito. Manter os valores em contato direto com oaspecto do amor funciona como a chave para dar e receber o amor na sua mais pura forma. Essa é a principal mensagem de Chapter 6 – Love Begins Within.
Quando se ouve um álbum como AN INVITATION – The Music Version – An Oratorio, o espectador entra em contato direto com o outro mundo. Entre o transacendental e puramente etéreo, o que o material fornece é uma aula de boas maneiras e de como levar a vida de um modo respeitoso e harmonioso para com os demais indivíduos com os quais se divide uma comunidade.
Falando de amor, de humanidade, de respeito e de generosidade, o disco explora especialmente os entornos harmônicos e melódicos para fazer com que as suas mensagens sejam apreciadas e incutidas no inconsciente do ouvinte de forma serena, delicada e agradável. Marcado por valsas amaciadas e por sons que transitam entre o agudo, o açucarado e o aveludado, o material transita por todas as suas 12 faixas esbarrando em momentos cuja introdução segue a mesma métrica, assim como o próprio viés lírico-interpretativo.
Entre solfejos e cantarolares tão vulneráveis quanto a textura do próprio cristal, AN INVITATION – The Music Version – An Oratorio funciona, de fato, como uma coleção de preces por uma vida em equilíbrio, preces essas que dão destaque especialmente às seis primeiras obras da track list do álbum por elas conseguirem sintetizar ess viés positivista e altruísta com mais afinco. Claro que obras como Chapter 8 – To Be Human Is To Fail And Reflect e Chapter 9 – Harmony Is Practice também merecem a devida atenção especialmente pelos seus conteúdos verbais reflexivo-analíticos. Com eles na soma, o disco dá forma musical à criação humana da filosofia atual.
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