A guitarra vem melódica, mas não tanto pegajosa. Ela explora uma sonoridade que se apresenta aveludada, mas capaz de trazer consigo traços de uma tensão marcante diretamente associada a um tipo de melancolia com traços soturnos. De outro ângulo, inclusive, é como se ela fosse capaz de comunicar a chegada gradativa do caos em meio a um céu noturno de energia obscura.
O interessante é perceber que, nesse ínterim, o melódico acaba se tornando dramático e exasperando o caráter sensorial melancólico com a somatória de versos líricos monossilábicos. Introspectiva, a composição ainda exibe, pelo timbre adocicado e aveludado do vocalista, curiosos traços que sugerem a agonia, mas sem se apegar ao grotescamente pungente.
Com traços de uma interessante intensidade pairando sobre a interpretação lírica perpetrada pelo vocalista, é só apenas durante o refrão que a composição escancara, enfim, a sua verdadeira natureza. A natureza do deboche e do cinismo perante a ideia propositadamente tosca da abordagem de piadas estilo tiozão. Apesar de sua melodia pesarosa, Fire At Will apresenta a hilaridade com aquela leveza que a torna penetrante justamente por introduzir, destacar e fortalecer a simplicidade de uma abordagem extremamente cômica. Tudo sob uma roupagem hard rock oitentista bem trabalhada.
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