O resgate do synthpop e derivados está no novo single do Segana

Interessante ver como o synth-pop retornou ao cenário atual, reformulado e mesclado com outros estilos (principalmente o R&B) e ganhou um espaço todo seu. The Weeknd, por exemplo, talvez seja o maior nome disso, porém ele não tem o estilo como carro-chefe, o que serve para algumas outras bandas!

Tais quais o trio escocês CHVRCHES, Nation of Language, banda americana com forte pegada de post-punk e new wave, Great Good Fine OK, duo de Nova York conhecido por melodias suaves, Hot Chip, grupo britânico que mistura o synthpop tradicional com batidas de música dance alternativa e indie pop e Cut Copy.

E, talvez tenhamos aqui mais um candidato a entrar nesse hall, porém com toda sua particularidade. Afinal de contas, temos aqui uma dupla que consegue transmitir o synthpop em sua essência, mas ainda assim com flertes claros ao pop, dance e outros gêneros de vanguarda, sempre soando atual.

Derrick Attwood (conhecido pelo nome artístico Blair Djuna) e Josh Paltoo são compositores e cantores australianos que exploram diversos gêneros musicais, variando do rock and roll, R&B e hip hop ao pop alternativo, mas sempre com o synthpop como pilar de sustentação. Ambos cursaram Bacharelado em Música (Composição) na JMC Academy, em Sydney.

Os integrantes da banda chamada Segana se conheceram na JMC Academy e desenvolveram uma amizade próxima, compartilhando gostos e influências musicais semelhantes desde que cresceram em Nova Gales do Sul (NSW), na Austrália. Sua engenhosidade e criatividade musical resultam em uma estética única, que eles descrevem como ousada, dinâmica, versátil, excêntrica e lírica.

A dupla retorna com “Midnight Masquerade”, um álbum sombrio, incisivo e dominado por sintetizadores, ideal para ouvir nas madrugadas. Mas não somente, o disco te transporta pelo tempo, sem que saia do lugar e faça uma viagem por décadas encantadoras e ainda seja entregue de volta pra casa com segurança.

O disco transporta o Segana para um mundo mais sombrio e incisivo, onde os sintetizadores batem com mais força e os vocais se movem com uma cadência lenta e deliberada. O álbum evoca a atmosfera de um encontro secreto após o expediente: máscaras postas, regras deixadas de lado e uma tensão latente em cada passo. Cada faixa revela uma nova camada de desejo, disfarce e verdades noturnas, levando a dupla a territórios mais ousados.

São 10 composições em pouco mais de meia hora, onde eles conseguem, com objetividade, trilhar diversos caminhos dentro de sua proposta, onde passam por Alt-Pop, Dark Pop, Night Drive, Synth-Pop e Indie Electronic sem jamais fecharem seu leque.

O disco começa com “Earth To Mercury” e como o título sugeri, uma viagem ao pop de vanguarda, com dinâmica e muita intensidade, como uma faixa de abertura deve ser. Enquanto isso, “How Could They Know” chega com um groove impressionante, onde a vibração e o ritmo semi cadenciado evidencia ainda mais o trabalho vocal convencional se entrelaçando a falsetes incríveis, como é de costume.

Voltando a uma energia cintilante, guitarras post-punk e um vocal que pode mexer com os brios dos góticos, pois ganha um pouco desse contexto mais dark, mostrando mais versatilidade ainda.

Com uma batida mais sensual e os falsetes ditando as linhas vocais já pelo refrão que tem um início fenomenal, a música “You’re The One” nos remete a noites de balada e muito neon. Enquanto isso, “Dancing In The Rain” traz elementos surpresas, tais quais uma guitarra preponderante e um sax magistral.

Já “Feels Like Heaven” é uma música que traz uma breve memória do que era o AOR, um rock de arena de fortes refrãos e com sem economizar em teclados, mas aqui mais voltado para o pop. Já “To Be a Believer” é uma faixa mais festeira, que cai num pop e ainda adentra o Segana no cenário dos anos 90, pois nos remete muito aos hits radiofônicos daquele período.

Entrando na reta final temos a emotiva e quase em ritmo de rock farofa, “Midnight Masquerade”, que só não cai neste pretexto porque mantém os elementos eletrônicos e ainda encarna um refrão que tem um contexto mais épico.

Falando nisso, uma mescla de balada de Bee Gees e soft rock fica por conta da belíssima e levemente sombria “Believe”, uma música que encanta pelo seu refrão climático e deixa tudo muito bem consistente. Por fim, fechando o disco temos “Cherry Crush”, uma faixa que prima por fechar “Midnight Masquerade” com intensidade e uma energia lá no alto, afinal é dinâmica, alegre e entrega um refrão fenomenal.

Sem dúvidas estamos diante de um disco que merece toda atenção e, mesmo assim, ainda não será suficiente para ter o reconhecimento que merece, afinal de contas, é um trabalho seminal e com uma forte personalidade de uma dupla que não tenta reinventar a roda, mas girá-la à sua própria maneira. Sem dúvidas um trabalho que irá agradar a diversas gerações.

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