Pridhvi Sunain Zoro pede humanidade com sonoridade plural em novo disco

Que não falta tema sobre a realidade no mundo todo mundo já sabe. O problema é que no caos em que vivemos atualmente, na busca pela verdade e igualdade, além de questões sociais e políticas, sempre remetem a um tipo de música ou no máximo dois em específico. E as coisas não são bem assim.

A verdade é que quando os temas costumam ser mais sérios e/ou realistas, sempre achamos que é atrelado a uma sonoridade agressiva e/ou triste, introspectiva, que seja pesada como a abordagem lírica. Alguns artistas conseguem colocar em prática um equilíbrio sonoro e temos aqui um destes.

Pridhvi Sunain Zoro é um cantor, compositor e músico indo-americano radicado em Los Angeles. Nascido na Índia e criado entre o sul do país e Santa Monica, na Califórnia — vivendo a realidade de uma “criança de terceira cultura” —, ele traz uma perspectiva que combina o olhar de quem está de fora e de dentro sobre a experiência americana.

Seu álbum conceitual de estreia, “MAHA (Make America Human Again)”, desenvolve-se em três atos — Colapso, Humanidade e Ascensão —, confrontando a desigualdade econômica, a divisão racial e a busca por conexão na América moderna. Mas ele traz um grande diferencial em sua abordagem.

Zoro, como iremos nos referir a ele neste texto, é um artista que não cai no pieguismo para tratar de assuntos difíceis. Inclusive ele entrega algumas faixas onde emana alegria, mas também sem soar forçado e isso faz do seu som um grande diferencial dentro de algo que poderia soar dramático.

E olha que “MAHA (Make America Human Again)” é um álbum conceitual de nove faixas que não hesita em retratar a realidade da América moderna: a pressão econômica, a divisão racial, o amor perdido e a luta silenciosa para manter a humanidade. O trabalho ganhou destaque em veículos como Popdust, Vents Magazine e True Hollywood Talk.

O disco abre com “F***king Dance”, um pop rock moderno, calcado no Muse, com uma levada instigante e energia que eleva o som, servindo muito bem como uma faixa de abertura, mas que não entrega tudo que encontraremos no disco.

Isso porque “Falling Through The Fire” já deixa um pouco o rock de lado e cai num pop cativante, influenciado pela americana e que chama atenção por Zoro conseguir manter sua identidade, mesmo deixando alguns elementos de lado. Detalhe para o refrão épico, que caberia em qualquer playlist decente.

Sem deixar de surpreender, “Give Me A World” chega como uma música folk de vanguarda. Mas, a música que tem arranjos eruditos, simplesmente encanta pelo fato de Zoro conseguir trazer uma melodia medieval para o universo do pop atual e a transformar num hit imediato, o que prova todo o seu talento.

E quem pensa que ele deixou esses elementos de lado, em “Human Again” Zoro trabalha com corais que nos entregam a natureza. No instrumental retorna às guitarras providenciais, dando uma pitada de rock e incursões acústicas que deixam a faixa hibrida. Enquanto isso, em “Loves Just Fades Away” ele retorna a americana, mantendo o contexto épico e entregando mais backings providenciais.

“Children of The Storm” soa como uma das melhores músicas do disco, além de ser versátil. E olha que há um equilíbrio imenso entre as faixas, mas aqui a variação, os ricos arranjos e a veia inspirada pela new age, além da incursão de vocais femininos, deixam tudo melhor.

“Shades With Ease” traz uma batida marcante e mais uma vez oferece guitarras providenciais, mas sem cair demais no contexto ‘rock’ da coisa. Um piano discreto, mas fundamental deixa tudo diferenciado e, mais uma vez, o dueto vocal faz toda a diferença. Já “Slash The Ghost” apresenta um folk erudito com elementos de indie e arranjos sinfônicos que chamam atenção. Destaque também para a cozinha mais ‘natural’.

Para quem prefere uma veia eletrônica mais controlada, inclusive trazendo um leve tempero synthpop, Zoro oferece “Live Beyond”. Mas, não pense que ele se perde e deixa sua identidade de lado, afinal de contas sua principal característica e moldar estilos a sua forma. Um groove magistral de baixo também chama atenção.

E eis que as duas próximas faixas chegam como uma versão bônus, mostrando também que Zoro sabe soar versátil e adaptar seus sons, pois ambas ficaram interessantes e caberiam facilmente no repertório convencional.

Uma delas é “Freaking Dance”, versão alternativa da faixa de abertura “F***king Dance”, não censurada e nem privada de nada, trazendo uma veia mais crua. A outra fica por conta de uma versão com vocal feminino intitulada “Slash The Ghost – Female”.

O saldo final de “MAHA (Make America Human Again)” é mais uma vez a ousadia de Pridhvi Sunain Zoro em conseguir entregar música em equilíbrio com temas tão complexos, passando longe de soar agressivo, seja na sonoridade ou na abordagem lírica pertinente. Ouça no melhor volume e comprove!

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