Still, The World | PoeTreeman lança álbum que oferece uma viagem entre americana, indie folk e soft rock

Enquanto uma brisa atmosférica completamente imersa na sugestão sensorial de um conforto associado à melancolia, a composição transpira uma beleza tão terna e delicada que chega a emocionar o ouvinte com tamanha facilidade. Não apenas em razão dos dedilhares mansos e melodiosos do violão, mas em razão das valsas chorosas e levemente tremulantes do violino, Wherever You Are traz consigo um curioso caráter melancólico que não chega a ferir exatamente, mas comunica, sim, uma espécie de dor ainda capaz de ser controlada. Com o seu timbre afinado e de nuances rasgadas bem-vindas por romper o estado de torpor até então disseminado, PoeTreeman faz dessa composição folk intimista um produto não apenas reflexivo ou triste, mas uma obra doce que transita por texturas ásperas frágeis que salientam suas brisas nostálgicas endereçadas a um romantismo como sensibilidade de compaixão.

Diferente da emotiva e melosa canção anterior, Edge Of The World coloca o ouvinte diante de um contexto americana muito bem elaborado a partir da contração das cordas do banjo, instrumento que por si só indica uma excentricidade regional e interiorana inquebrantável e inquestionável. Sensual e curiosamente provocante diante do compasso rítmico elaborado pela textura crocante do estalar de dedos, a faixa explora frases secas e sincopadas de um violão que, ao lado da textura seca do chimbal, lhe garante uma postura provocante. Explodindo em um refrão contagiante, expansivo e atraente, a composição se apresenta como um produto cujo lirismo explora a ideia da liberdade e do rompimento das correntes do comodismo. A coragem em se aventurar pelo novo e a adrenalina que move o sangue diante do desconhecido são detalhes que permeiam o cerne dessa faixa penetrante.

Mesmo não tendo exatamente um conteúdo instrumental atmosférico, o time sonoro que constrói o escopo rítmico-melódico da obra é capaz de fazer essa sensorialidade acontecer com uma notável profundidade. Diante de uma guitarra aguda e ululante que se associa ao crocante do estalar de dedos, existem sinais uivantes obtidos a partir da apropriação do efeito lap steel que induzem o ouvinte a uma percepção rural bastante envolvente. Ainda que soe harmoniosa e delicada, é interessante perceber que, pelo simples tom adotado por PoeTreeman, a canção consegue transpirar frágeis traços melancólicos. Com um refrão envolvente e estimulante, My Bad transita entre o romantismo e a culpa de não demonstrar, de uma maneira enfática, todo o amor sentido por outro alguém.

Sexy desde o seu despertar imediato em razão da postura adotada pela guitarra em meio ao seu riff de sabor levemente azedo, a canção se movimenta por outro ambiente americanizado conduzido inicialmente pela textura seca do chimbal. Marcante e acima de tudo esteticamente provocante, a faixa, antes mesmo de mergulhar na sua segunda metade introdutória, coloca o ouvinte em contato com um teclado de notas docicadamente ácidas que tremulam perante o escopo harmônico. Se tornando ritmicamente sincopada, é interessante perceber que a canção vai assumindo contornos não necessariamente altivos, mas mergulhados em estímulos que requerem a pureza do estado léxico de liberdade. The Art Of Being Alone, portanto, apesar daquilo que seu nome pode sugerir, é uma obra que, surpreendentemente, traz o caráter de independência como o caminho que leva o espectador à ideia de confiança e empoderamento na busca pelo amor.

Aqui, ao mesmo tempo em que a guitarra chega a oferecer veludo, conforto e um convite de aconchego ao ouvinte, a bateria se mostra o elemento responsável por desenhar uma levada rítmica suavemente trotante que, com o máximo cuidado, consegue equilibrar os estados de lucidez e torpor. Com uma interpretação lírica que transcende a identidade léxica da delicadeza, é surpreendente que a faixa alcance uma natureza de conotações esotéricas a partir de suas frágeis camadas atmosféricas. Diante de um folk macio e sereno, Kind Heart não é apenas uma canção que exalta o amor na sua forma pura, mas educa e sugere ao ouvinte que procure  sempre pelos corações possuidores de compaixão e bondade por poderem oferecer a verdade e a sinceridade.

Surpreendendo todo e qualquer ouvinte, a presente composição, diante de um escopo rítmico-melódico atraente e levemente sincopado, serve de cama para o desenvolvimento de uma interpretação lírica perpetrada por uma voz feminina equilibrada entre agudez e dulçor. Além de se pautar na exploração de texturas digitais em contato com uma base atmosférica fresca, a faixa é marcada por um intimismo sensual aveludado que causa um interessante grau de atratividade em relação à receptividade do espectador. De refrão levemente dramático, Love Paradigm é mais uma canção do disco que explora o amor como tema central.

Ele é envolvente. É contagiante e se beneficia das menções de frescor e leveza que o seu instrumental é capaz de construir. Sempre pautado no espectro da máxima delicadeza estética, Still, The World se apresenta como um álbum que pode até soar dramático e melancólico em alguns momentos, mas os vieses positivistas, expansivos e serenos superam qualquer outra alusão à tristeza.

Ao longo de suas 10 faixas, além de transitar fluidamente entre os campos estruturais da americana, do folk e das texturas indies, o disco chama a atenção do ouvinte pela capacidade que tem de oferecer lirismos moldados a partir de storytellings lexicalmente penetrantes. É assim que PoeTreeman atua na ânsia de disseminar mensagens de amor, solitude, resiliência e conexão, temáticas bem marcadas ao longo das seis primeiras faixas, mas igualmente presentes nas demais obras, mesmo que com uma densidade menor.

Mais informações:

Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/7hl1gbRw0WXEWx37TrhElq

Site Oficial: https://www.poetreeman.org

Facebook: https//www.facebook.com/anthony.langston.37/

SoundCloud: https://soundcloud.com/anthoy-langston-443826555

YouTube: https://www.youtube.com/@PoeTreeman-n5z

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