A Live Family Rayunion 2025 | Ray’s Music Exchange lança primeiro álbum ao vivo em 15 anos

A introdução da composição coloca o ouvinte em um estado de incógnita. Majoritariamente silenciosa, ela rompe seu estado assônico com um timbrele levemente áspero aparentemente embebido no efeito wah wah, o que, por si só, sugere ser proveniente da guitarra. Tal impressão se confirma no instante imediato em que a base estético-estrutural começa a ser devidamente construída, o que acontece a partir da união da bateria de levada repicada e um baixo de groove encorpado e saliente. Sincopada e equilibrada em relação aos aspectos da densidade e da consistência, Furley’s Comet ganha uma dosagem altiva de vivacidade com a entrada do trompete e de seu brilho estridente permeando o nascimento do espectro harmônico. Cooperando com a maciez rítmico-melódica, além de dar ênfase à sensualidade expressa pelo baixo, o instrumento rompe com o torpor explorado até então e auxilia até mesmo na percepção de fluidez estrutural. Como a obra mais longa de todo o material, superando a marca dos sete minutos, a obra ainda se beneficia de trechos devidamente swingados e de um solo pronunciado pelo inédito saxofone, apimentando a cena harmônica e entregando um toque agradavelmente provocante ao seu contexto.

O baixo, com o seu groove afinado em um tom grave a ponto de quase chegar em um grau de densidade azeda, puxa a introdução com nuances de uma maciez enigmática que imediatamente chama a atenção do ouvinte. Delimitando um contorno estético intimista, o instrumento faz com que até a bateria, que surge em seguida, assuma uma postura íntima e quase sorrateira. Evidenciando a textura seca do chimbal, a breve opacidade da haste da caixa e um movimento sequencialmente amaciado, tal instrumento se mostran responsável pelas primeiras indicações de cadência que já são capazes de conduzir o espectador à percepção de fluidez estrutural. O curioso, nesse ínterim, é perceber que a contribuição da guitarra, a partir de seus uivos longínquos, ecoantes e aparentemente decrescentes, coloca Quartalchondriac 12-tone Jam em uma seara entorpecente de boas menções psicodélicas. Mesmo com o acréscimo do time de metais diante do seu enredo sônico, é interessante pontuar que a faixa mistura o sombrio e o tenso com uma audaciosa postura sorrateira que muda assim que a guitarra, agraciada pela aspereza de sua distorção, entra em cena com uma textura mais palpável.

É interessante perceber que, apesar de manter a mesma estrutura introdutória das demais canções já estudadas, We Like You traz consigo um gingado diferenciado. A partir do seu aspecto swingado, a composição rapidamente consegue comunicar uma boa influência da roupagem do reggae em relação à sua paisagem estética. Leve e com brisas de uma sensualidade amaciada, a faixa chama a atenção do ouvinte por apresentar um novo elemento que contribui tanto com o âmbito harmônico quanto com o espectro melódico. O teclado, em meio ao seu veludo de inclinações ácidas, permite que outros elementos, como o carrilhão, se somem ao entorno instrumental e pontuem o despertar de uma marcante sensibilidade onírica. Entorpecida e com brisas melancólicas, a faixa ainda surpreende por conter um solo uníssono entre os instrumentos de metal, o que lhe entrega uma boa dualidade entre as texturas da estridência e da aspereza.

Pela forma como o baixo constrói o seu groove durante os primeiros instantes imediatos da canção, é bem possível que o ouvinte rememore aquele riff nascente produzido por Tim Commerford na intro de Killing In The Name, single do Rage Against The Machine. Sincopado, encorpado e com nuances sombrias que ganham um tom de cinismo com a companhia do chimbal seco e cuidadosamente rebolante, o instrumento dá o tom soturno da canção, que ganha certo dinamismo ao sinal dos batuques opacos dos elementos de percussão presentes na base rítmica. Frágil, uivante e trazendo um contexto rítmico-melódico que até chega a se associar à estrutura do manguebeat pelas suas breves menções maracatuantes associadas a brisas afros, Peruvius mescla bem o swingado e o dançante através de uma paisagem harmônica de aparência linear.

Onírica, sensual e precisamente pulsante, a composição que se apresenta fornece um bom diálogo entre o veludo, a delicadeza e a precisão. Trazendo consigo frases de um repicado firme, a faixa traz consigo uma boa participação do saxofone diante de seus próprios aspectos harmônico-melódicos. Na forma da canção mais curta em duração do disco, não passando dos três minutos, Dancing About Architecture pode até soar explosiva em alguns pontos, mas é marcada pelo swing e pela surpreendente captura dos gritos positivos do público que assiste a tal performance.

Como uma espécie de looping narrativo, U ‘N’ I, tal como aconteceu em Furley’s Comet, é profundamente agraciada por uma desenvoltura melódica pautada especialmente em uma guitarra apoiada no efeito wah wah. Cooperando para uma crescente em relação à textura da maciez, o instrumento faz com que a canção se destaque pela saliência e pela simetria existente entre guitarra e baixo até o instante em que bateria, teclado e trompete se unem ao contexto sônico. Entre estridência, frases repicadas e um veludo de traços ásperos, a faixa alcança um grau de envolvência bastante atraente que, ao longo de seus pouco mais de sete minutos de duração, motiva, energiza e estimula o espectador. Com direito a um trecho de solo marcante de teclado, o que entega interessantes menções progressivas ao seu contexto sonoro, a faixa apresenta todo o dinamismo e versatilidade do grupo.

Diante de um trabalho como A Live Family Rayunion 2025, o ouvinte pode encontrar um pouco de tudo. Pode esbarrar com a sensualidade ao mesmo tempo em que esbarra com a densidade. A consistência e a precisão podem entrar no caminho, assim como o sombrio e o expansivo lutam pelo seu lugar no contexto sônico-sensorial. Isso é apenas uma prova da musicalidade existente no campo do Ray’s Music Exchange.

Ainda que traga uma track list enxuta, o álbum, diante de seus seis títulos, é mais que o suficiente para evidenciar e destacar a simetria entre os músicos, detalhe que acaba cooperando com um dinamismo estético-estrutural afiado que transita entre cenários como o jazz, o reggae e até mesmo o progressivo. Uma bela maneira de apresentar A Live Family Rayunion 2025, o primeiro compacto ao vivo do grupo em 15 anos.

Mais informações

Spotify: https://open.spotify.com/artist/6H23CL1ztIW87fAJWOxc5t?si=Opgu2CHVT_utf6iKtQ2ngw

Site Oficial: http://raysmusicexchange.band

Facebook: https//www.facebook.com/raysmusicexchangecincinnati

Bandcamp: https://raysmusicexchange.bandcamp.com/album/a-live-family-rayunion-2025-lp

Instagram: https://www.instagram.com/raysmusicexchangeband

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