Não é somente em sonoridades chamadas de ‘erudita’ que alguns artistas primam por popularizar, trazendo um som mais sofisticado para o público de massa e revelando seu talento em tal processo. Há outros casos interessante, do pop se tornando pop e soando ainda mais abrangente e podemos comprovar isso.
Basta ouvir este mais novo disco de Brenna Menz, artista que vem da sombria e tétrica Seattle, mas que traz calor suficiente para quebrar essa primeira barreira de sua origem. Com nove composições em pouco mais de meia hora, ela consegue desenvolver ainda mais sua personalidade e entregar faixas que agrade a todos os públicos. Tudo deixando sua identidade intacta.
Mas, antes de destrincharmos “Shattered Perspectives”, sua mais nova empreitada, vamos saber um pouco do que deu a base a tudo isso. Afinal de contas, há toda uma história que caracteriza a artista e também define o disco, e isso fica mais fácil ainda de compreendê-lo.
Como uma cantora e compositora de Seattle, impulsiva e emotiva, que sempre amou música pop, Brenna canaliza todos os seus sentimentos e experiências pessoais em canções para que outras pessoas possam se identificar e criar uma conexão. Isso já explica o porquê de sua sonoridade e letras serem tão abrangentes.
Embora tenha crescido participando de corais e até mesmo se aventurado na atuação, na dança e no teatro musical, sua verdadeira paixão sempre foi cantar como artista solo de música pop. Seu amor pelo pop surgiu de sua inspiração inicial: Britney Spears. Mas, ao ouvir o novo álbum, notamos que ela vai além e isso falaremos adiante.
Primeiro disco completo de Brenna, “Shattered Perspectives” é um álbum conceitual que narra a história crua das experiências pessoais da cantora em um relacionamento complicado, de idas e vindas, que durou mais de dois anos com alguém de perfil extremamente evitativo, e como suas perspectivas mudaram e se transformaram repetidamente ao longo do tempo. Essas mudanças de perspectiva são refletidas na transição do álbum entre diferentes gêneros. Tudo muito bem direcionado e com letras inteligentes, enquanto a produção sonora supera os contextos modernos artificiais, entregando uma naturalidade impressionante.
Apesar do título, “At The End” abre o disco mostrando uma veia pop e eletrônica onde camadas atmosféricas e teclados providenciais são conduzidos por pulsações incríveis e uma inspiração no dance que é de tirar o chapéu. O trabalho vocal de Brenna chama atenção por acompanhar esse conceito climático, mas a faixa não resume o disco.
“Break This Habit” mantém o eletrônico em voga, sendo uma continuação natural de sua antecessora, mas com um adendo. A faixa retorna alguns anos, trazendo elementos de synthpop e uma batida inspirada no funk oitentista. O refrão a transforma em um hit imediato.
Quando a gente menos espera chega “You Don´t Fit”, trazendo elementos acústicos e um fundo inspirado na americana, mas sem perder a essência e o fundo eletrônico, que aqui fica para a batida espaçada. Tudo sem perder uma gota da identidade de Brenna. E isso é só o começo de uma transição interessante no disco.
Afinal de contas, “I Suppose” já nos leva para um pop rock cativante e intimista, com direito a bases sólidas de guitarras e uma sonoridade mais orgânica da cozinha. Mais uma vez com um refrão espetacular que mostra que a cantora sabe como construir faixas nessa linha.
Já em “Game of Life” ela traz uma mescla interessante entre o hip-hop e linhas de doses menores do DUB, talvez até despercebidas pela própria cantora. O trabalho vocal chama atenção, afinal de contas Brenna sai daquela zona de melodia e cria algo mais descolado e com uma dose extra de energia.
“Fading” é uma balada que não cai na pieguice, inclusive traz um ar mais sombrio, a deixando bem diferenciada. Comandada por um piano e violão discretos, a faixa abre caminho para linhas vocais emotivas e uma das melhores performances de Brenna, que encanta com seu carisma e equilíbrio.
“Built Your Own Narrative” mantém a pegada sombria em seu início, mas logo explode numa batida pulsante e mostra pela primeira vez o R&B dando as cartaz no disco. E, o mais incrível ainda, ela mantém sua identidade, soando enérgica e trazendo uma das faixas mais versáteis do repertório (repare nas guitarras).
Com uma mensagem clara em seu título e trazendo um eletropop rock atual, “I Hope You Miss Me” é uma faixa profunda, vinda diretamente dos anos 90 e mostrando como Brenna sabe equilibrar bem as coisas e preservar suas melhores influências.
Enquanto isso, “Cliff” fecha o disco com a energia equilibrada, inclusive no que resume o disco. De arranjos ricos e uma abordagem na medida por parte de Brenna, é uma faixa que representa o pop e suas diversas facetas, das quais encontramos neste magistral trabalho intitulado “Shattered Perspectives”. Que elas nos entregue muito mais discos cheios com este.
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