É fácil confundir a delicadeza com a mansidão, mas nenhuma dessas duas características consegue ofuscar a verdadeira identidade de uma melodia desenhada unicamente pelo piano. Diante da presente canção, o instrumento, já enquanto molda a paisagem introdutória, leva o ouvinte a experienciar o intimismo, mas não em sua solitude. A introspecção surge, aqui, repleta de uma melancolia que transborda profundidade emocional.
De movimento lento, o que acaba auxiliando na percepção da existência de um breve reverberar de cada nota pronunciada pelas teclas do piano, a canção exorta um sofrimento que beira a visceralidade em sua forma mais dramática em razão das pausas existentes entre cada som. Podem, de fato, ser curtas, mas elas, no tempo em que acontecem, são suficientes para ilustrar a dor do silêncio, aquele instante de visceralidade que evidencia o poder do rubato.
Não importa se são agudas ou graves. Afinal, independentemente da tonalidade das notas expressas pelo instrumento, é a união delas que torna a composição uma prova expressa da influência de Chopin no desenho sonoro em exercício. Não apenas pela adoção da técnica do rubato em si, mas também por Ezekiel’s Eye One – Determinism in D Harmonic Minor trazer ligeiras nuances das polonaises, ainda que possua uma calmaria quase transcendental.
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