D.D.R. resgata facetas do hard rock em novo EP

Antes de destrinchar esse mais novo disco do D.D.R. (Divorced Dad Rock), que eles consideram um EP, vamos falar sobre aquele velho assunto de que ‘o rock está morto’. Se isso for um fato, alguém tem que explicar como um disco destes ainda existe, pois aqui temos o melhor do hard rock e praticamente todas as suas facetas.

Tudo destilado de uma forma natural, conhecimento de causa e energias ímpares, onde conseguimos desfrutar de cada momento do trabalho e suas nuances, além de se sentir revigorado assim que o EP acaba (isso quando não deixamos no repeat antes mesmo de terminar).

Pois bem, agora sim apresentando a obra, o autor e seu conceito, o O D.D.R. é o projeto de composição de Stephen Paul, romancista e compositor radicado em Indiana, nos Estados Unidos. O projeto baseia-se no que Paul chama de “especificidade universal”: contar histórias de forma suficientemente pessoal para parecerem reais, ao mesmo tempo em que deixa espaço para que os ouvintes encontrem suas próprias experiências nelas.

Seu mais novo trabalho, este EP intitulado “Blinded By the Blonde: Chapter One”, encerra o primeiro capítulo do D.D.R..Ao longo de sete faixas, a coleção traça uma trajetória que passa pelo amor, traição, perda e luto, culminando na decisão de voltar a sentir.

Paul bebe em fontes riquíssimas. Influenciado por bandas como Bon Jovi, Def Leppard, Journey, Warrant e Shinedown, ele molda sua própria identidade com forte ímpeto no AOR, um estilo de rock que consagrou nomes como Journey e Asia e soa perfeito para grandes arenas.

Mas, no D.D.R o estilo não é exclusividade pois, transitando pelas sete faixas e os poucos mais de 32 minutos do disco, encontramos referências de diversos outros estilos. Em comum, o trabalho traz guitarras pomposas, com bases sólidas e solos providenciais, além de uma seção rítmica consistente, que carrega o piano com destreza, teclados muito bem aproveitados, além de linhas vocais que comandam refrãos magistrais.

O disco abre com a poderosa “Never Forever” e seu riff inicial heavy metal. Logo a faixa cai em melodias cativantes, levemente introspectivas (para manter o equilíbrio) e eleva uma energia incrível com tudo aquilo que resume o disco. Já com um refrão magistral, a música abre caminho para um trabalho primoroso.

Veloz, “Sleeping With The Enemy” chega com um tema de traição e um refrão longo que deixa tudo à mostra, inclusive a habilidade do artista em destilar uma música tão poderosa e objetiva ao mesmo tempo. Enquanto isso, um ar mais moderno pede passagem em “Just 10 Minutes In”, mas, incrivelmente sem deixar as características de lado. Isso prova mais uma vez a habilidade do artista e sua aura espetacular em criar música versátil sem perder a personalidade.

“Anything Less Than More”, que em sua letra examina relacionamentos sob perspectivas emocionais marcadamente diferentes, chega com uma mescla de peso e introspecção. Enquanto o verso carrega aquele ar mais intimista, a música cai em melodia e guitarras carregadas no pré-refrão e refrão, entregando uma energia ímpar e gloriosa.

Eis que chega “Don’t Tell Me How to Grieve”, uma faixa onde imaginávamos apenas uma balada para ‘compor elenco’, mas que entrega tudo e mais um pouco. Sim, estamos diante de uma balada, mas que vai além do normal e soa como uma das principais faixas do disco.

“Don’t Tell Me How to Grieve” traz todo o drama e contexto típicos, com um trabalho de guitarra dedilhada magistral e solos estrategicamente bem inseridos, além de uma cozinha que dá a pegada necessária e intensa. Mas, a faixa ainda traz um saxofone que dá toda sofisticação e diferencial, mostrando uma estrutura poderosa.

A letra é tão fenomenal quanto à faixa, e rejeita a ideia de que a perda segue um cronograma preestabelecido ou um conjunto de regras. A música foca em um escritor que normalmente sabe o que dizer, mas descobre que algumas experiências não deixam palavras capazes de explicar o que alguém está sentindo.

A faixa seguinte é uma versão alternativa da enérgica “Sleeping With the Enemy”, que traz a faixa em uma roupagem mais moderna, porém mais ‘nua’, com menos elementos e mais na cara. A versão ajuda a dar a dimensão da versatilidade da composição e toda a sua capacidade.

Encerrando o disco temos “Make Me Feel Again”, uma balada mais tradicional que deixaria David Coverdale extasiado. A música prima por uma boa dinâmica, aquele tipo de bateria consistente e baixo na marcação enquanto a guitarra entrega licks providenciais. Claro, um refrão pegajoso (no bom sentido) não poderia faltar e está aí, a todo vapor.

Vale destacar que o título “Blinded By the Blonde” deriva de um verso da música “Sleeping With the Enemy” e a arte da capa amplia os temas do trabalho por meio de imagens inspiradas no tarô, representando turbulência, introspecção, esperança e a perspectiva fragmentada que pode acompanhar o fim de um relacionamento. EP primoroso!

https://open.spotify.com/artist/1EqOxBD0Zzs9FQt1EdIaah?si=GTffajF6QtuzLhd35oM_Vw

https://youtu.be/bgeL-Okqf2M?si=7wNhnZvZFk_WOgsl

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