Tre Nash & Jenesis lançam álbum de estreia cheio de personalidade

O amor está sempre ligado à música, principalmente quando falamos sobre o conceito das letras. Mas, o amor na música vai muito além disso e suas diversas formas e manifestações. O amor por tocar, por compor, enfim, por fazer música, o amor em falar de amor, e até mesmo a música que é resultado do amor.

Se o leitor (futuro ouvinte) ainda não entende o porquê do primeiro parágrafo, expliquemos aqui. Tre Nash & Jenesis formam uma dupla de Columbus, nos Estados Unidos, que transita pelo pop, R&B, soul e música alternativa, combinando composições sinceras, musicalidade rica e uma química autêntica. Casados ​​desde 2024, eles criam músicas atemporais e carregadas de emoção, fundamentadas em experiências da vida real.

Ou seja, estamos diante de uma dupla do qual um dos resultados do seu amor é a música. O conjunto delas consistente neste trabalho, que acaba de ser lançado e vem com o título de “In Tandem”. Trata-se de um álbum de 10 faixas que mistura pop contemporâneo e R&B com elementos de rock e hip-hop. Composto ao longo de cinco anos, o projeto — produzido pela própria dupla — explora temas como amor, gratidão, pedidos de desculpas e saudade, com os dois artistas tocando praticamente todos os instrumentos.

Mas, além da sonoridade mais diversas do que descrito, eles também abordam temas de uma forma inteligente e não cai em clichês baratos. O que prevalece é o talento do casal, além de seu senso de composição, técnica nos instrumentos, arranjos muito bem desenvolvidos e feeling na medida.

Precisamos destacar um pouco do belo título do disco. A expressão em inglês ‘in tandem’ significa em conjunto, juntos ou simultaneamente. Ela descreve duas ou mais pessoas, coisas ou ações que trabalham ou acontecem ao mesmo tempo, de forma cooperativa e ligada. Ou seja, exatamente o que Tre e Jenesis representam.

O trabalho abre com a dinâmica “Wanna Say”, um indie pop de fundo R&B, que tem uma batida direta, bases modernas de teclados e já apresenta a dupla em perfeita sintonia vocal, sendo um excelente cartão de visitas, trazendo com ênfase o ouvinte à imersão do disco.

Logo em seguida temos “Ceiling”, primeira faz lançada pelo casal em 2025 e que mostra eles incorporando mais uma vez o indie, só que com contextos claros de ‘drum n’ bass’, principalmente no beat frenético. Destaque para a guitarra providencial, que entrega um trabalho diferenciado, mostrando que a hibridez entre orgânico e eletrônico funciona muito bem para a dupla.

“Mmm, Mmm, Good” chega com trejeitos mais vibrantes, num trabalho onde o grave aparece com mais ênfase dessa vez, numa mescla excepcional de R&B e funk, que respinga numa disco music atual. O trabalho vocal futurista também soa diferenciado e tudo sem perder a identidade do casal.

Logo chegamos em “Hold On”, a primeira faixa com teor de balada, mas que não soa exatamente como tal, então, seria uma ‘semi-balada’. Com uma certa cadência, a faixa traz elementos do eletropop, o que deixa tudo ainda mais abrangente. Destaque também para os backings vocals diferenciados.

Chegando ao meio de “InTandem”, temos a faixa “Tequila Nights”, um lounge de bases atmosféricas, que reflete um neon reluzente com sua batida bem sacada e guitarras providenciais fazendo um fundo misterioso. O trabalho sensual das linhas vocais só deixa a música ainda mais noturna (com perdão do trocadilho).

Abrindo a segunda metade do disco, os elementos do indie se unem ao synthpop em “Yesterday”, uma faixa dinâmica que prima por destacar novamente o dueto vocal entre Tre e Jenesis, que não medem esforços em suas linhas cada vez mais cativantes, aqui tendo a condução principal a cargo da cantora.

Agora sim, surpreendendo com um tom acústico, de bases de violão dedilhados que aquecem o coração, entregam a balada “Désolé”, uma música que pavimenta um caminho para o trabalho magistral da dupla e suas linhas vocais. O sentimento que essa faixa emana é surreal e, por ela ter menos de 2 minutos, é compreensível apertarmos o repeat já na primeira audição.

“Cabin Fever”, a escolhida para videoclipe do álbum, é uma faixa onde a beleza se une à consistência, onde Tre e Jenesis sabiamente deram um ritmo mais constante e objetivo, deixando a faixa mais abrangente de fácil digestão. Não à toa foi a escolhida como música de trabalho.

A vibração retorna com “Show You”, um soul moderno, onde a guitarra aparece mais uma vez como um complemento magistral e Jenesis entrega uma de suas melhores performances vocais (e olha que o sarrafo é alto em se tratando deste disco).

Por fim, “Together, Never” chega soando como uma das mais fora da casinha, porém sem alarde. Com um fundo inspirado pela música eletrônica atual, a faixa tem um tom futurista e um leve toque de psicodelia atemporal, sem perder a identidade da dupla e mostrando que um disco pode ser encerrado por uma faixa enérgica. “In Tandem” é, sem dúvidas, um acerto em cheio no alvo.

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