A canção se apresenta por meio de uma estrutura minimalista e pautada em uma sonoridade distante, unilateral. Por meio de uma agudez que transita entre duas notas, a composição acaba, invariavelmente, explorando a própria capacidade de entorpecer e até manipular o ouvinte, que se percebe capturado pela atmosfera, no mínimo, intrigante a ele apresentada.
O curioso é perceber que conforme a canção engata em um movimento de desenvolvimento, ela vai sendo envolvida nas texturas e nos incentivos sensoriais de um teclado borbulhante que induz à ideia do onírico. Felizmente, o timbre afinado em sua nuance levemente agridoce vinda na posse de Quentin Wylie ajuda a que o espectador não seja sugado por inteiro pelo torpor manipulativo.
Conseguindo se apegar e se prender aos versos líricos, portanto, o ouvinte consegue apenas observar a camada atmosférica valsar sem fazê-lo seu refém. Contudo, no instante em que o instrumental entra por completo no cenário, a dramaticidade, a melancolia e a pungência acabam capturando o espectador em definitivo. Diante dessa esfera introspectiva de brisas melancólicas incontestáveis, New Ocean consegue ser marcante e inesquecível em razão de seus traços chorosos e de sua aparência completamente teatral.
De certa forma, não é de se espantar que o ouvinte se sinta parte integrante e ativa dessa peça teatral cheia de profundidades sonoras que auxiliam no engrandecimento da camada sensorial. Densa, mas com uma fluidez que tenta suavizar o visceral, New Ocean tem grandeza, tem o épico, tem a reflexão, tem o pesar. Tem o lamento. Uma música feita para ser sentida, simplesmente.
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