Frederick James lança EP de estreia e encanta!

Sempre falamos de estreias e quando as mencionamos automaticamente isso nos remete a algo inédito. Mas, nem sempre é assim. Expliquemos então. Tem artistas que lançam alguns materiais prévios, testam sua capacidade e o público, para então entregarem algo mais completo e que consiga mostrar melhor aquilo que ele moldou.

Em outros casos a estreia pode ser fonográfica, mas vindo de artistas, compositores e afins experientes, que estão no cenário há um bom tempo ou já trabalharam do outro lado do balcão. Por fim, temos as estreias por si só, de quem está chegando agora e já tem um material gravado para apresentar.

O caso de Frederick James abrange os dois primeiros. Ele é um cantor e compositor inglês radicado em Perth, na Austrália Ocidental. Ele compõe canções cruas e emocionalmente sinceras sobre a vida cotidiana, a paternidade, o vício, a recuperação e a esperança silenciosa que pode surgir após os momentos mais sombrios da vida.

Influenciado pela composição melódica de Noel Gallagher e pela narrativa de Noah Kahan e Zach Bryan, sua música mistura refrãos grandiosos e marcantes com letras íntimas e narrativas, enraizadas em momentos do dia a dia.

Após mudar-se para a Austrália em 2010, Frederick passou anos compondo discretamente enquanto construía uma carreira e criava sua família. Um evento transformador em 2024 remodelou profundamente tanto sua vida quanto sua relação com a composição, desencadeando um período criativo extraordinário que gerou mais de 300 canções — sendo que mais de 230 delas foram escritas em apenas seis meses.

O mais interessante é notar que a música de Frederick manteve sua essência no folk rock inglês, mas ganhou sobrevida com as outras influências naturais, do qual ele soube explorar muito bem e deixa bem claras nas quatro composições do disco, que leva o título de uma dela, “Let Me Give You A Good Day”.

Trata-se de um álbum composto durante um período intenso de criação. O EP aborda temas como família, resiliência, relacionamentos e recuperação, combinando letras diretas e narrativas com melodias grandiosas. Tudo distribuído diretamente em pouco mais de 14 minutos, onde o artista consegue deixar muito bem seu recado.

Transitando por diversos estilos, mas com o foco no folk rock, Frederick consegue inserir em seu som elementos do indie, o que ajuda a dar atualidade, algum toque de pop, que corresponde na abrangência, e ainda ganha um tempero clássico, soando de alguma forma atemporal.

O disco contém 3 faixas que ele vinha trabalhando a algum tempo, que foram lançadas previamente, além de uma inédita. A junção das músicas, junto com a produção providencial, mostra que James soube moldar sua sonoridade de acordo com sua personalidade, criando uma identidade própria consistente. Ou seja, tudo que um músico deseja.

“Pound Of Flesh”, faixa que abre o disco, é a oferta inédita que o artista anglo-australiano oferece e da melhor forma possível. Afinal de contas, estamos diante de uma composição que consegue resumir a proposta de Frederick, ao mesmo tempo em que une praticamente todos os elementos que moldam seu som.

Na composição, o leitor (futuro ouvinte) irá notar um contexto híbrido, onde ele consegue unir com equilíbrio elementos acústicos e elétricos, que aliás é um dos motes de seu som. Fato é que nessa canção em específico, iremos encontrar um trabalho onde os arranjos são detalhados, com direito a guitarras e uma cozinha poderosa, teclado de fundo com camada atmosférica, além de percussão, gaita, violão discreto e um trabalho vocal que entrega um refrão cativante.

Logo em seguida temos a faixa título, que talvez tenha sido a música mais trabalhada por Frederick até chegar ao EP. Não, não se trata de uma música complexa, mas de uma faixa que traz inspirações dos Beatles, por isso soa tão importante e não à toa dá nome ao disco.

Com bases num piano cativante, a faixa progride dentro de si, saindo de um rock clássico sessentista até chegar num contexto voltado ao indie, com um trabalho de guitarra primoroso e explodindo num refrão magistral.

“Walking Through Hell” apesar do nome e das linhas vocais levemente introspectivas, é uma bela faixa com o violão em destaque, além do apoio de uma gaita providencial e graves bem destacados. A faixa se destaca como um folk moderno, mas sempre mantendo as características de James intactas.

Por fim, outra velha de guerra do repertório de James, sua primeira composição lançada, “Under The Clock”, é um rock básico, com grande influência do rock alternativo noventista, inclusive com direito ao besunte pop que permeou aquela década. A faixa fecha o disco justamente de onde o artista começou.

Não precisamos de muito para dizer que estamos diante de um EP magistral e muito fácil de ouvir, por isso fica praticamente impossível não cair no clichê de comentar que o gostinho de ‘quero mais’ fica assim que o disco acaba. Logo, que o próximo seja um álbum completo!

https://open.spotify.com/artist/600mmf5mcr8Uc0UmHFMd4V?si=d3ukFV7eTGG3DM7kL9jSUQ

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