Não é apenas pela adoção de uma performance pautada no brilhantismo de suas notas graves que o piano faz com que a canção adquira uma identidade melancólica. Seu andamento, lento e cuidadosamente pausado, de forma a proporcionar canais de um respiro reflexivo, amplifica generosamente essa tomada de tristeza com um toque de desesperança.
Assim que o enredo lírico começa a ser devidamente construído, a faixa proporciona ao ouvinte o contato direto com um timbre masculino de identidade aveludada, adocicada e equilibradamente aguda. Com ela moldando a esfera verbal, a canção invariavelmente se beneficia de outra fonte de movimento, além de garantir para si um aspecto melódico que se contrapõe à rigidez proposital do piano.

Misturando nuances contemplativas e suplicantes a partir da adoção de reverbs, efeitos que, inclusive, conferem uma curiosa ideia espirituosa na sua interpretação lírica, Anthony Hughes, com a devida delicadeza, exibe melismas suaves cujas inflexões denunciam o soul na sua escola vocal. Diante desse detalhe associado ao minimalismo estético-estrutural, que se beneficia do som crocante do estalar de dedos denotando o compasso rítmico, e do pulso grave e seco do baixo entregando densidade a partir da base melódica, there will never be a world… explora uma nova sonoridade de Hughes ao mesmo tempo em que marca um novo capítulo em sua trajetória.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/0upI6I4t33sbI2xcZSmwzl
Instagram: https://www.instagram.com/anthonymusicuk?igsh=dWljNWN3Y3pzM3Vm&utm_source=qr



