Desde que surgiu, o rock sempre foi contestado e os motivos quanto a isso nunca foram exatamente justos, se é assim que possamos dizer. Fato é que o estilo sempre incomodou e talvez isso tenha feito com que se expandisse cada vez mais, se tornando abrangente e trazendo, além de novas facetas, diversas ramificações.
Isso fez com que o estilo, por mais que fosse associado à rebeldia, se tornasse popular em todo o mundo, sendo um dos mais expansivos de todos os tempos. Claro, não impediu de que continuasse sendo massacrado e contestado pela crítica, além de ignorado pelos meios de comunicação de massa.
Mas, para a tristeza de muitos, o rock conseguiu se consolidar e até mesmo atingir o mainstream, lugar do qual frequenta posições até hoje. E isso tudo ainda aguentando o discurso de que o ‘rock morreu’. Se isso é estar morto, temos que informar que os mortos andam entre os vivos, pois a energia do estilo nunca se apagou, pelo contrário, está cada vez mais intensa.
Com isso, o rock angariou, além de artistas dentro do estilo, muitos fãs que se conectam a seu propósito, além de resistir como o rock resistiu todo esse tempo. E temos aqui um que une os dois quesitos, afinal de contas Robert Allen é músico, compositor e fã de rock.
Ele é o nome por trás do DownTown Mystic, projeto que chega com um novo EP, mostrando toda sua paixão e conhecimento de causa. No trabalho, ao seu lado, ele tem um time de peso, onde o baterista Steve Holley (Paul McCartney/Wings/Elton John/Ian Hunter) e o baixista Paul Page (Dion/Ian Hunter), além de uma das maiores seções rítmicas da história do rock’n’roll americano: Max Weinberg e Garry Tallent, da E Street Band de Bruce Springsteen, o ajudam a entregar um trabalho exímio.
Mas, além de entregar um repertório magistral, o novo EP tem algumas responsabilidades a serem cumpridas. O DownTown Mystic vem numa sequência de sucesso com os lançamentos de “The Wish” e “Mystic Highway” em 2025, mantendo essa pegada roqueira em 2026 com “On E Street Remix” e, agora com “Mystic Highway Road Trip”.
Isto é, o trabalho tem a responsabilidade de manter a peteca lá no alto ou de jogá-la ainda mais pra cima. E, ao ouvir estas seis faixas que compõem o disco, constatamos que o trabalho continua de vento em popa, além de preservar a identidade de Robert.
O disco abre com “Superstar – To Sir Elton with Love Mix”, que tem um título que nos dá a entender que Elton John é o homenageado da vez. Mas, o rock que ele apresenta aqui nos remete claramente aos Rolling Stones em transação com o Status Quo. Sua dinâmica encanta, assim como o piano classudo em meio as guitarras.
“Live” chega com um pouco mais de groove, leves toques de blues e uma abrangência incrível. Tudo mantendo as características do projeto intactas, além de nos oferecer um duelo magistral entre gaita e guitarra. O refrão é simplesmente primoroso.
“Losing My Mind” chega como um remix southern rock, onde chama atenção o fato de Robert conseguir fazer com que a faixa soe atual sem mexer um pingo na estrutura vanguardista que ela oferece. Tudo objetivo e com uma ótima dinâmica, além da energia lá em cima.
E se você se deixou levar pelo título de “Shadow Walk”, você está certo. Com o perdão do trocadilho, estamos diante de uma música sombria, inspirada pelas faixas mais introspectivas do southern rock. A abordagem de Robert é bem natural, onde ele dá um tom mais soturno tanto no instrumental quanto em suas linhas vocais. Destaque para o magistral solo de guitarra e o violão discreto que soa fundamental.
“Fly – Buddy Holy Mix” é uma faixa diferenciada. Com seu ritmo marchante, a música traz um quê de Beatles, mas com a identidade do DownTown Mystic bem-posta, onde o artista consegue dar ênfase aos arranjos simples, mas fundamentais.
Por fim, fechando o disco temos a magistral faixa “Somebody’s Always Doin’ Something to Somebody – Uncut Mix”, que é uma faixa mais moderna dentro do que Robert propõe. Com sintetizadores vintages em destaque, a música prima pelas guitarras nervosas e um piano jazzístico, soando entre o pop e o requintado de forma natural. Uma ótima forma de fechar o disco, sem cair em clichês. Destaque para as ótimas linhas vocais e seus ‘backings’.
“Mystic Highway Road Trip” sem dúvidas é um trabalho que mantém o legado do DownTown Mystic, mas vai além disso. Além de mostrar a paixão de seu mentor pelo rock e suas facetas, mostra o quanto ele está aberto a inserir mais elementos em sua sonoridade com a habilidade de manter tudo com as próprias características. Pode ter certeza que isso faz com que o projeto continue com sua forte personalidade. Ouça no melhor volume!
McCartney/Wings/Elton John/Ian Hunter) & Paul Page (Dion/Ian Hunter) on bass, as well as one of the great rhythm sections in the history of American Rock’nRoll–Max Weinberg & Garry Tallent of Bruce Springsteen’s E Street Band.
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