Ainda que destacada pela sua maciez estética, a composição se vangloria pela posse de um caráter igualmente swingado e groovado mesmo sem a presença do baixo, especialmente durante a sua introdução. Trazendo consigo um charme irreverente ao fundir a sensualidade do blues com a exuberância do jazz, a faixa se delicia por momentos de um intimismo minimalista que traz as pinceladas agudas do piano como uma seriedade de bastante relevância.
De bateria branda que faz enaltecer a textura seca do chimbal, bem como os seus pulsos precisos, mas sem qualquer menção de brutalidade, a composição vai fortalecendo o seu viés esteticamente frágil. Ainda assim, é interessante destacar que a interpretação lírica sugerida por Judith Owen, em meio ao seu timbre doce, mas ao mesmo tempo de nuances rasgadas, injeta boas doses de uma sensualidade provocante.

Se valendo de uma superfície aveludada atraente, a composição, mesmo que não lhe dê o devido destaque, traz um baixo de groove grave e ondulante que assume, escancara e personifica a mais pura identidade sônica do jazz com seus toques duplos e sincopados. Ainda assim, o ponto que mais chama a atenção é o solo de guitarra. Completamente bluesado em meio à sua maciez levemente contorcionista a partir da performance inserida por Joe Bonamassa, ele reafirma o casamento entre o jazz e o blues de uma forma que faz Mind Is On Vacation ser uma música irresistível.
Mais informações:
Spotify: https://open.spotify.com/intl-fr/artist/7JJBBV4U990CO3PJrn3CIo
Instagram: https://www.instagram.com/judithowenmusic/
Website: https://judithowen.net/



