Aqui temos uma artista completa não no sentido musical apenas, mas também quem faz o negócio acontecer, seja ele dentro ou fora dos palcos.Valeria Atkeys, pianista, produtora e compositora costarriquenha, que mistura música eletrônica com ritmos latino-americanos e instrumentação orgânica, não se restringe apenas em compor e oferecer sua arte de uma maneira formal. Ela vai muito além.
Ela também é a fundadora do Wila Fest, o primeiro festival massivo na América Central dedicado às mulheres na música, do qual criou para dar a devida importância de abrir espaços para todas as vozes. Ou seja, não basta ter talento, ela também coloca a mão na massa para fomentar uma cena e lutar pela resistência.
Só isso já faz com que ela ganhe pontos e mereça atenção de geral, mas não apenas. Valeria chega com um novo disco, onde mostra conhecimento de causa, além de fazer uma abordagem que preserve suas raízes e a expanda para o contexto pop universal.
Trata-se de “Galaxia”, um trabalho que reforça sua proposta, além de mostrar como ser versátil sem perder suas características, encantando de fora a fora com contextos de diversos estilos e subestilos que acabam moldando, de forma efetiva, sua personalidade.
O disco conta com oito faixas e em menos de meia hora valeria consegue colocar todo mundo em pé dançando como se não houvesse amanhã. Isso porque o trabalho traz um repertório enérgico e tem uma execução pra cima, além de timbres e produção consistente, que deixam o trabalho naturalmente a ponto de bala.
O primeiro destaque sem dúvidas é para a ‘carro-chefe’ “Viaje Tropical”, que traz Valeria em um pop latino moderno, mas que não se afasta de suas raízes. De ritmo típico, a faixa ainda conta com um trabalho fundamental das guitarras de José Castillo, além de um groove surreal.
Outra que merece menção é a moderna “Constelaciones”, que traz um leve toque de dub, com uma boa dinâmica, apesar da levada semi cadenciada. A faixa soa viciante e traz bases harmônicas hipnotizantes. Ouça ainda a psicdelia de “Diosa de Venus”, com seus sintetizadores mágicos em meio ao ritmo latino, além de “Nube de Tequila”, que soa lisérgica à sua maneira e revela mais um bom trabalho de guitarra, lembrando nossa versão amazônica do instrumento.
Mas, não tenha dúvidas que “Galaxia” é um disco que merece qualquer audição mais completa, pois é uma experiência que pode nos dar tanto a oportunidade de dançar quanto de refletir e viajar em suas batidas e camadas climáticas.
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